March 4, 2026

Commodity Classics 2026

 Commodity Classics 2026, San Antônio, Texas-USA


Já tive oportunidade de participar de outros eventos do Commodity Classic, e sempre é uma oportunidade de antecipar tendências. No entanto, a edição de 2026, em San Antonio, Texas, trouxe um tom diferente que somente tecnologias pelas tecnologias deram lugar à mudanças de pensamento. Observei muitas tecnologias embarcadas nos equipamentos e insumos, mas também o surgimento de variados produtos biológicos e de matérias-primas naturais de origem animal e vegetal.


 Uma das principais mensagens que ficou foi a de que em um cenário de margens apertadas e desafios climáticos para o agricultor norte americano, o sucesso agora depende de um "tripé" expandido: eficiência técnica, inteligência financeira e segurança digital.


Abaixo, consolidei alguns dos principais aprendizados desta missão, divididos pelos pilares que definirão a rentabilidade das próximas safras.


1. O Paradoxo da Produtividade: Gestão Econômica e Risco


O painel de economia agrícola, com especialistas como Matt Bennett (AgMarket.Net) e Joe Vaclavik, trouxe um alerta realista. Estamos ( Brasil e Estados Unidos) produzindo volumes recordes, mas a lucratividade está no fio da navalha.


Custos Estruturais: Dados de 50 anos mostram uma subida consistente nos custos de produção. Com o milho a US$ 4,81/bu (R$57/sc) e a soja a US$ 11,96/bu (R$132,00/sc), o erro na gestão de insumos pode ser fatal. (Cambio R$5,20)


O "Vício" dos Subsídios: Os US$ 11 bilhões injetados pelo governo americano, ajudam no fluxo de credito de auxilio ao agricultor, mas podem inflar artificialmente o preço dos arrendamentos e insumos, retardando o ajuste necessário do mercado.


Estratégia: A recomendação é o planejamento de 10 anos. Utilizar ferramentas de seguro de receita, que é outra forma de credito aos agricultores para garantia de receita, e travar margens de sobrevivência, sem esperar por picos de preços que podem não ocorrer. Tudo isso para mesmo em anos muito ruins, se consiga pagar as contas e ainda ter fôlego para próxima safra.


2. Fisiologia e Manejo: A Ciência da Resiliência no Sul do Texas


O Texas A&M e grupos como o ExtremeAg reforçaram que a planta precisa ser uma "fortaleza" contra o estresse abiótico (calor e seca).


Nutrição Cirúrgica: "Não economize até a pobreza". Em vez de cortes lineares de fertilizantes, a estratégia é o uso de testes de seiva para monitorar o metabolismo da planta e aplicar apenas o necessário.


O Solo como Ativo: O uso de mix de coberturas (aveia, nabo, ervilhaca) mantém o solo até 10°C mais frio. No Sul do Texas, solo coberto é sinônimo de manutenção de flores e vagem sob calor extremo.


Pesquisa On-Farm: O produtor moderno deve ser o cientista da sua área. Validar tecnologias em pequenas parcelas antes da adoção em larga escala é a única forma de garantir o ROI (Retorno sobre Investimento).


3. Clima 2026: A Influência do Pacífico e do Ártico


A meteorologia, discutida por nomes como Reed Timmer, mostra que a volatilidade será a regra.


O Indicador do Alasca:  Águas quentes no Golfo do Alasca têm alta correlação (0,65) com verões secos no Meio-Oeste. É um radar antecipado para nossas decisões de plantio.


Risco Sanitário: Verões mais úmidos e quentes previstos aumentam a pressão de doenças fúngicas. O monitoramento diário não é mais opcional.


4. Biossegurança e Defesa: A Fazenda como Alvo Nacional


Um dos pontos mais impactantes foi a apresentação do FBI. A agricultura é agora uma questão de Segurança Nacional.


Guerra Cibernética: O setor agro sofreu mais ataques de ransomware em 2024 do que o setor de defesa. O sequestro de dados de cooperativas pode paralisar a colheita.


Espionagem de Sementes: O roubo de biotecnologia é real. A China já produz 99,9% das suas sementes localmente, fruto de décadas de aquisição agressiva de tecnologia global.


Ação: Implementar o programa Operation Winter Shield e auditar provedores de TI. Pequenas trocas de caracteres em e-mails (fraude BEC) causaram bilhões em prejuízos.


5. O Fator Humano: Saúde Mental e Sucessão


Pela primeira vez, a mente do produtor foi tratada como o motor principal da operação.


Sinais de Alerta: Depressão no campo manifesta-se por negligência e isolamento. O estresse financeiro e climático é absorvido por toda a família, afetando a sucessão.


Resiliência Humana: Manter a rotina social, a higiene do sono e buscar apoio (como o AgroStress Helpline) devolve ao gestor a clareza necessária para tomar decisões financeiras frias, em vez de agir pelo medo.



Conclusão:


Auditoria Digital: Verifique a segurança dos seus dados e e-mails.

Gestão de Risco: Trave margens de sobrevivência com seguros de receita.

Saúde do Solo: Mantenha a cobertura vegetal para mitigar o calor.

Testes Locais: Valide novas tecnologias em pequenas parcelas primeiro.

Equilíbrio Pessoal: Cuide da saúde mental para manter a visão estratégica.


A agricultura de 2026 exige um produtor completo: agrônomo, economista, vigia digital e líder.


November 28, 2024

Cultivando o Solo e a Alma: A Arte da Agricultura Consciente

Cuidar da terra é, em essência, cuidar de si mesmo. Assim como o solo pulsa como um ecossistema vivo, nosso ser também está profundamente interligado ao ambiente em que vivemos. A agricultura, mais do que uma prática produtiva, é um ato de equilíbrio entre ciência, emoção e observação constante.

No centro desse processo está o reconhecimento do solo como um organismo vivo. Ele não é apenas o suporte para as plantas, mas um universo repleto de interações biológicas onde microrganismos trabalham como verdadeiros engenheiros naturais, processando nutrientes e garantindo a fertilidade que sustenta a vida. Analogamente, o agricultor, como guardião desse sistema, também precisa manejar suas emoções e pensamentos, pois a clareza mental reflete diretamente na qualidade de suas ações.

Uma boa colheita começa com o agricultor em sintonia. É essencial perceber os sentimentos que surgem durante os desafios do dia a dia rural — como a frustração diante de uma chuva inesperada ou a ansiedade ao esperar a germinação de uma planta. Identificar esses momentos e transformá-los é tão crucial quanto monitorar os microrganismos que enriquecem o solo. A respiração consciente, o contato direto com a natureza e o ajuste da postura são ferramentas tão eficazes para o agricultor quanto os biofertilizantes são para o solo.

Assim como o solo requer um manejo cuidadoso para preservar sua atividade biológica, o agricultor deve nutrir sua semente com pensamentos positivos e conscientes. A introdução de práticas regenerativas, como o uso de compostos enriquecidos com microrganismos e o consórcio de plantas de cobertura, é um reflexo desse equilíbrio. Enquanto o solo se fortalece com essa abordagem, o agricultor também se renova ao vivenciar uma conexão mais profunda com a terra.

Essa integração entre humano e natureza também desafia nossas próprias crenças sobre eficiência e produtividade. Assim como um solo vivo é capaz de reter nutrientes e resistir às adversidades, um agricultor consciente de suas emoções e valores consegue superar os obstáculos de forma resiliente e criativa.

A atividade rural é uma escola com sequência de valores, em que podemos construir inteligência coletiva. Aprender, aprender e aplicar, aprimorando e pensando na complexidade. Nosso principal desafio é gastar menos, produzir cada vez mais e conservar. No agroeconegócio, produtividade é vaidade, lucro é sanidade, e rentabilidade é a rainha.

A agricultura, afinal, é uma arte que transcende técnicas: é um processo de aprendizado constante, onde o produtor rural não apenas transforma o solo, mas também se transforma. Ao unir ciência, práticas sustentáveis e autoconsciência, podemos cultivar não apenas plantações abundantes, mas também um futuro onde terra e humanidade florescem em harmonia.


Fontes:

The Biological Farming - Garry Zimmer, 2017
Humusphere - Herwing Pommeresche, 2019
GAAS - Abordagens Quânticas
Willian Walker Atkinson
Rafael Zen

February 9, 2022

Fertilidade Natural dos Solos






Quanto tempo durou o império Egípcio?
Porque um império durou tanto?


Lá nunca faltou alimentos, o delta do Nilo manteve sob o efeito fertilizador dar cheias que não eram frequentes e sim sazonais que de épocas em épocas promovia um banho de lodo de fundo do rio constituído de pó das cadeias rochosas da África Central enriquecidas pelas algas que se criavam nas épocas de baixas correntezas nos períodos de secas aí se formava fertilizante de materiais orgânicos e minerais (organomineral) devidamente equilibrado de altíssima qualidade que em grande quantidade era depositado em toda a planície do Delta do Nilo e isto se repetiu por milhare de anos. Daí a expressão que a civilização Egípcia ser uma dádiva do Nilo devido seu criterioso processo de fertilização com Rochagem e orgânico ao mesmo tempo.


Enquanto que os outros impérios ruíram junto com a fertilidade dos seus solos o que levaram a expansões que conduziram a decadência pela falta de víveres.


Já durante o Baixo, Médio e Alto império Egípcio havia um razoável suprimento alimentar, o que permitiu o grande avanço interno em todas as áreas do conhecimento.


As civilizações tombaram junto com o final da fertilidade natural dos seus solos.
Me orgulho, me gabo e me sinto com a carga moral de contribuir com esse grupo do qual faço parte nessa humanitária empreitada, pois somos o único grupo que conheço no planeta que estamos comprometidos em fazer gênese do solo e este é o caminho da Sobrevivência da civilização.


(autor desconhecido, mas provavelmente ligado aos estudos da Gênese do solo)


January 24, 2022

Raízes que recrutam micróbios

 



Se constatou que diversas plantações de consórcio de plantas de cobertura produziam maior biomassa e eram mais resistentes ao estresse biótico e climático do que as solteiras, devido a um fenômeno conhecido como quorum sensing.


O que é detecção de quorum?


Bem, quando há um grupo diverso de micróbios presente, eles são capazes de formar um "quorum" para coordenar tarefas que garantam a sobrevivência de seus hospedeiros. Seu hospedeiro, neste caso, são plantas, vivendo dentro da zona da raiz (rizosfera), alimentando-se de diversos nutrientes, açúcares e exsudatos produzidos pela atividade fotossintética. Uma vez que um "quorum" é alcançado, eles são capazes de fazer coisas incríveis, como regular a expressão do gene em seu hospedeiro e garantir que tarefas cruciais sejam realizadas, como a troca de nutrientes, protegendo as plantas de patógenos e ajudando as plantas em condições climáticas adversas. Em termos ciêntificos seria a regulação da expressão gênica em resposta a flutuações na densidade da população celular.


Se uma comunidade microbiana diversa não estiver presente, este "quorum" não pode ser alcançado. É por esta razão que as policulturas e plantações diversas são mais eficientes, pois a função das comunidades microbianas favorece os diversos microclimas criados pelos diversos sistemas de raízes das plantas. Cada rizosfera é única, cada um hospedando sua própria comunidade única de micróbios.


Estas ilustrações são o culminar de quarenta anos de trabalho do Pflanzensoziologisches Institut, Klagenfurt (agora em Bad Goisern, Áustria), liderado pelo Prof. Dr. Lore Kutschera (1917-2008).


Eles mostram como são diversos os sistemas de raízes raramente vistos das plantas, oferecendo uma explicação visual para descobertas como as feitas por um dos experimentos de biodiversidade mais antigos da Europa, o experimento Jena.

















May 13, 2021

Sistema Milho safra 2020/2021


Safra 2020/2021

Mesmo com os cultivos irrigados no sistema milho, sentimos a estiagem por diminuir a abundância de água nas barragens. Um dos nossos maiores desafios é o uso consciente de água para irrigação e isso vem sendo mitigado com melhorias na infiltração da água na lavoura, quando se constrói um perfil de solo o mesmo funciona como uma esponja, armazenando e estocando a água por mais tempo no solo para as plantas.

Para manejo de doenças e pragas, nossa estratégia está sendo trabalhar com o aumento da imunidade das plantas e torná-las mais resistentes às intempéries, gerenciando a causa e não somente os sintomas. Porém o que dificulta esse processo é que a forma como as sementes desses híbridos são produzidas pois tornam todo o sistema de produção de grãos de milho com uma grande dependência de moléculas químicas.

E houve sim perdas pela incidência de cigarrinha em híbridos de milho suscetíveis a essa praga. A perda estimada foi de 10%.

Aumentamos a área cultivada, porém a produção foi menor do que planejada. Um dos motivos que limitam o aumento de área de milho em nosso sistema agrícola é o fato destes grãos ocuparem muito volume no armazenamento, competindo pelo espaço com grãos de soja.

Realmente o resultado positivo de qualquer sistema de produção agrícola é o conjunto de fatores. Mas sair da Zona de conforto, fazer melhor e transformar o design de nosso pensamento com tantas mudanças que estamos vivendo, respeitar a natureza, ser rentavel, buscar prosperidade e abundância do sistema agricola foram a base para incrementar a produção. Para melhorar precisamos mudar como estamos manejando e as vezes aquilo que mais precisamos encontrar para essa melhoria pode estar onde menos queremos olhar.
Depender menos de insumos de outros países e mesmo assim usando tecnologias de alta qualidade, extraídas e produzidas no nosso país. Uma das melhorias foi buscar um ponto de vista biológico e acreditar que a agricultura do Brasil pode ser uma das mais limpas e rentáveis do mundo, comprovando que os agricultores podem sim consolidar um novo modelo de agroeconegócio brasileiro.

Utilizamos gps, piloto automático, mapeamento de fotometria com drones, telemetria para controle de umidade de grãos armazenados, gestão das áreas com mapas de colheita, um software para gestão de custos de produção e indicadores econômicos e contabilidade. Estamos utilizando um equipamento digital que mede a massa microbiana do solo. A agricultura digital é a cereja do bolo, porém ainda temos muito trabalho pela frente para conseguir rentabilizar (ROI) e utilizar de forma mais assertiva todas informações dessas ferramentas, visto o excesso de informações.

Um grande passo para melhorias na produtividade foi o investimento em sistemas de irrigação e o que vem sendo fundamental é que buscamos cada vez mais uma visão de que a fazenda é um organismo agrícola. Nosso alicerce está sendo construído por plantas de cobertura, pulverização de microorganismos, adubação mineral e biofertilizante. Durante nossa entre-safra procuramos utilizar rotação de culturas onde reservamos 40% da área para produção de grãos e o restante das áreas com plantas de coberturas consorciadas para fechar as janelas de outono e primavera, mantendo o solo sempre coberto. Finalmente percebemos que o solo tem vida e que é fundamental alimentá-la com diversidade de outras espécies de coberturas outonais e invernais. Gramíneas com alta relação de carbono e leguminosas, brássicas e poligonáceas com maior relação de nitrogênio, criando um meio de cultura equilibrado para o sistema solo. Outra estratégia essencial para se fazer nesse arranjo de plantas é pulverizar consórcios de microorganismos para ativar ainda mais essa interação solo/microorganismos/plantas. Tudo isso para preparar e “engordar” o solo antes do plantio das culturas comerciais. A adubação de sistemas em nosso manejo ainda esta em fase de aprimoramento, mas já estamos trabalhando com adubação orgânica sólida nos anos bons e mais líquida, condicionadores de solos e are I realizadores.

A integração-lavoura pecuária antes da cultura do milho para altos rendimentos ainda é um desafio, mas vemos com bons olhos todo tipo de integração de sistemas.

A melhor e principal ferramenta para aumentar o rendimento é procurar escutar e entender a natureza dos sistemas agrícolas e sempre acreditar que tudo dará certo quando se busca o equilíbrio biofisicoquímico. O milho e a soja são como reis e rainhas em nosso tabuleiro agroecosistêmico e a competição é melhorar sempre os resultados financeiros, sociais e ambientais desse organismo agrícola.




May 3, 2021

MODELOS DE COOPERATIVAS AGRÍCOLAS NA CHINA.


(ressuscitando um texto de 2017)

Cada vez que tínhamos alguma visita ou dia de campo, durante o workshop, era uma incógnita. No cronograma das atividades apenas mencionava "dia de visita" e quando perguntávamos aos organizadores o que iríamos visitar respondiam: "atividades agrícolas". Todos participantes ficavam inquietos pois a maioria preferiam saber onde e o sobre o que exatamente seria a visita.

Logo da CHINA CO-OP e da
empresa local
Era uma mega cooperativa que atua em quase todos os segmentos da cadeia de produção agrícola, com o objetivo de produção da matéria prima até o comércio com o consumidor final. Contempla uma rede de 30 mil sub-unidades com mais de 245 mil produtores cooperados.

O símbolo ou logo principal da cooperativa são esses quadrados com um círculo dentro, e a imagem da garça na lagoa é a referência quanto ao nome daquela unidade que visitamos.

Essa empresa é um misto de cooperativa público privada. Com uma estrutura organizacional privada, mas que presta contas para os orgãos públicos e aceitam sugestões sobre tipos de manejos. Eles sabem os tipos de insumos que precisam, compram do mercado geral, de revendas e distribuidores locais, fazendo diversos orçamentos.

No escritório  da  cooperativa.
A política financeira é muito interessante. Com um total apoio do estado, os recursos de financiamentos para estas cooperativas são de um fundo sem retorno de capital e com juros zero. Ou seja, o governo fornece o dinheiro e a cooperativa não precisa pagar de volta.

O principal cabeça da empresa é um militar aposentado. E isso ocorre na maioria das grandes e mega grandes empresas na China, sempre existirá uma ligação direta com o governo. O histórico do principal responsável e donos das empresas importa muito na hora de criar e registrar essa empresa para então se conseguir os recursos de fundo sem retorno e juros zero.




Frota de transplantadeiras e automotrizes.
Visitamos uma dessas unidades, que trabalha com 230 produtores rurais dos quais foram persuadidos a fazerem parte desta empresa, e prestarem serviços para ela. Digo persuadido pois se um dos produtores têm sua área no meio de outros dois que aceitaram assinar o contrato, este que esta no meio, não têm muitas opções. É aceitar a proposta ou ir para cidade e deixar sua área para outro que queira. A área total que essa cooperativa atua é próximo à 1.300 hectares. A China Co-op é uma rede de cooperativas que possui diversas filiais. Totalmente mecanizada com pulverizadores, automotrizes, tratores,  semeadoras e iniciando trabalhos com big data, mapeando todas as áreas e unificando a gestão de todas as operações.
A China CO-OP é apenas uma das grandes redes de empresas desse tipo, existem outras cooperativas e com estrutura bem parecida.

Segue uma apresentação em PDF que mostra um pouco da estrutura de mercado da China CO-OP.

A proposta de arrendamento das áreas pela cooperativa vale a pena, pois os agricultores chineses ganham o valor à vista antes da safra e ainda podem ganhar uma bonificação caso a colheita seja além da expectativa. E o contrato é válido até 2 anos após cada renovação. Com isso podem lucrar desta forma até R$10.500,00/ha. Porém a contrapartida é que esses agricultores façam todas as operações e manejos de plantio, aplicação de insumos e colheitas, acatando todas as sugestões dos responsáveis técnicos da cooperativa, que conta com grupos de engenheiros agrônomos especializados em cada área do processo produtivo.

Lavoura com grande escala de produção, graças a nova
reforma agrária chinesa.
O tamanho médio das áreas na China são em torno de 10 mu's. Onde 15 mu's equivalem a 1 hectare. Ou seja, o tamanho médio das áreas são de +- 0,7 hectares.  Por esse motivo, o governo chinês criou um mega projeto que já esta em prática a mais de 10 anos. Onde uma empresa cooperativa, procura por produtores que tenham suas áreas ligadas ou vizinhas uma das outras e fazem um contrato com esses produtores para unificarem as áreas. Dessa forma conseguem mecanizar e trabalhar em maior escala. Além disso, é uma forma de conseguirem armazenar boa parte da produção de grãos, centralizando maiores volumes nessas empresas, das quais irão reportar para o governo chinês sobre os estoques. Tanto para arroz, milho e soja produzidos dentro da China.

Sistema de armazenagem e secagem de grãos. Com vigas de ferro e telas, com ótimo custo benefício.


Não tem como falar nesse assunto das cooperativas da China sem falar do tipo de reforma agrária que a China esta passando. O que esta acontecendo naquele país é uma enorme reforma agrária para aumentar a escala de produção.

Quem fala em reforma agrária no Brasil com a intenção de dividir áreas esta totalmente equivocado.  Sabemos do desafio que existe e a diferença de renda entre produtores rurais, sim. Atualmente a agricultura familiar representa uma enorme fatia da produção no Brasil, com muita diversificação, assim como a agricultura empresarial que é também fundamental não só pelo fornecimento de grãos mas também por fornecer um superávit com sobra de grãos dos quais podemos exportar e nutrir toda a cadeia do agronegócios e empresas que vivem neste ramo. Por isso que falo em deixar de lado as demagogias e idealismos das diferenças entre esses sistemas de produção. Querendo ou não as multinacionais empregam muitos trabalhadores e excelentes profissionais brasileiros. Mas não devemos deixar a reforma agrária de lado, mas uma reforma nos para melhores planos agrícolas, com melhores planejamentos nas legislações sobre insumos e impostos absurdos que pagamos pelos herbicidas, fungicidas, inseticidas e fertilizantes, químicos ou biológicos. Necessitamos de mais estado para reformular essas leis de forma que tenhamos menos estado no futuro! Para assim fortalecer ambos os setores agrícolas.

A cooperativa arrenda as áreas dum grupo de produtores.

Já comentei uma vez aqui sobre o desenvolvimento rural na china e esses novos programas que o governo vem incentivando para unir as áreas dos produtores e conseguir aumentar a escala de produção

O que temos que parar de fazer é criar uma ideologia tola de direita e esquerda ou agricultura familiar e empresarial. Isso só deixam as pessoas segregadas uma das outras e criam desavenças que não precisam existir. Os setores agrícolas devem ser unidos, e claro, com leis específicas para cada realidade. Agora, tornar disso uma ideologia política só faz com que argumentos se transformem em ódio.


Aqui um pouco sobre a CHINA CO-OP


Presidente da cooperativa, ex-militar.

Ao fundo, nota-se duas jarras das quais têm uma salamantra
em cada, presente de um amigo do gerente da cooperativa.

Uma das enormes salamantras




Silos: telas de ferro e vigas de metal.












Trator e automotriz.



Pulverizador com acoplamento para graneleiro à lanço traseiro.


Automotriz.

Trator muito parecido com o que
conhecemos no Brasil.

Ração para peixes em uma piscicultura.





Campanha para o não disperiçar alimentos,
"o Alimento só é feliz dentro do estômago"






Farelo de soja: base para ração animal








Soja para consumo humano, "non gmo".




                                    Video que fiz com alguns takes do beneficiamento de arroz.




Fonte:

March 3, 2021

Pensamentos da Agricultura em tempos de pandemia.


Na agricultura muitos resultados acontecem de formas empíricas, mas têm como resultado final a busca por uma solução para nossas realidades rurais, utilizando da criatividade adaptativa das experiências vividas além das ciências agrárias.
 
Uma das práticas experimentadas é a do agro-pensamento positivista, em fazer a escolha certa dos sentimentos. Tendo em vista a filosofia de que não somente nós seres humanos possuímos sentimentos, mas os animais, plantas, microorganismos, solo e outros também possuem. E na prática o controle mental é muito mais importante do que o estudo de qualquer conhecimento ciêntífico. 

Afinal a solução acontece na nossa mente e precisamos estar em uma boa frequência mental para ter eficiência em nossas práticas e manejos agrícolas.

O primeiro passo percebido é começar a ter consciência dos sentimentos na medida em que eles aparecem, principalmente quando acontecem de forma inesperada, como uma previsão climática errada ou em dias que precisamos colher mas a umidade impede, ou dias secos para plantar. Normalmente nós somos levados no turbilhão de sentimentos de forma irracional e acabamos por agir ou tomar decisões ruins. O truque é perceber o sentimento ruim no momento que ele se apresente e modifica-lo.

Perceber o momento em que a ansiedade surge quando aquela planta demora para sair do solo, raiva quando a pulverização deriva, constrangimento ou qualquer outro tipo de sentimento incômodo aparece.... e então respirar fundo, sentir o ar entrando nas narinas, vento, o céu e o corpo relaxando e sintonizando sentimentos recebidos. Voltar para o momento presente. Entender o sentimento e o acontecimento que o desencadeou. Retomar o controle da mente e então transmutar o sentimento ruim em um sentimento bom quando pensamos naquela chuva abençoada molhando nossas plantas para se desenvolverem,  reproduzirem folhas, flores, frutos e sementes. Ótima e abundante colheita!

Para ir para o ponto neutro em praticamente qualquer situação em que tiver, ajustar a postura, coluna reta, ombros relaxados, rosto levemente inclinado para cima, olhar para o céu e depois fechar os olhos, unir as mãos e apenas respirar fundo algumas vezes. Existem diversas outras formas. Se ainda nunca deitou no meio do campo, recomendo fazer isso, sentindo o peso do corpo sobre o solo, microorganismos, plantas com toda imensidão do universo sobre. Fazendo isso um dia, pode-se sentir o poder da imensidão.

Perceber o sentimento no momento que acontece, começando a praticar essa percepção e passar a fazer transmutação sempre que qualquer sentimento ruim aparecer. Com a prática isso se tornará automático e assim teremos um pouco a mais de controle sobre si mesmo e  objetivos, podendo mudar a frequência desses objetivos materiais.

Fontes:

GAAS - Abordagens Quânticas
Willian Walker Atkinson
Rafael Zen

February 3, 2021

Bioeconomia na Agricultura

https://open.spotify.com/episode/5DP5nlOSiAhr69IoAXxcx3?si=SfYFS-PeQ6SAUPWmFmQsyQhttps://open.spotify.com/episode/5DP5nlOSiAhr69IoAXxcx3?si=SfYFS-PeQ6SAUPWmFmQsyQ

https://open.spotify.com/episode/5DP5nlOSiAhr69IoAXxcx3?si=SfYFS-PeQ6SAUPWmFmQsAlgum tempo atrás tive a oportunidade de participar de um evento sobre bioeconomia na Universidade da Unijuí em Ijuí-RS. Apresentei em um painel algumas técnicas que estamos desenvolvendo dentro da fazenda e também idéias sobre possibilidades de novos designs de manejos para melhorar o sistema como um todo. 





https://www.balticsea-region-strategy.eu/news-room/highlights-blog/item/61-bioeconomy-beyond-statistics

February 2, 2021

A saúde do solo cria uma bifurcação no caminho para a agricultura



Por Jon Stika 
Publicado em Abril de 2018

“Se você tem mais carbono entrando em seu solo do que deixando-o, seus filhos provavelmente cultivarão sua terra. Se você tem mais carbono deixando seu solo do que entrando, provavelmente não vai. ” - Jay Fuhrer, especialista em saúde do solo, NRCS North Dakota 

A agricultura chegou a uma bifurcação. O caminho que cada produtor escolhe seguir pode ser a maior decisão que ele ou ela tomará na vida; ou para a próxima geração que vai cultivar suas terras. 

A questão é: você usará a tecnologia e os dados atuais para restaurar seu solo ao seu potencial total, ou usará a tecnologia apenas para gerenciar insumos enquanto produz safras em solo cada vez mais disfuncional?

 Tratar os sintomas insalubre do solo é caro, interminável e leva agricultores e pecuaristas à falência todos os anos. A tecnologia de hoje, infelizmente, nos permite gerenciar solos danificados com precisão. Continuar a sustentar o solo disfuncional ao fornecer insumos com mais precisão não é o caminho para um futuro próspero para ninguém.

 Devemos resolver o problema do solo degradado, não reforçá-lo com insumos até que o sistema entre em colapso total. É mais do que provável que cada um de nós tenha resolvido um problema de matemática no quadro-negro (ou quadro branco, conforme o caso) na escola. Se você tivesse um professor como o meu, não poderia sentar-se até que resolvesse o problema. Você não tinha permissão para simplesmente apagar o problema e ir embora. 

Ao lidar com o solo, a natureza é a professora, e ela não deixará você apagar o problema e se sentar - se você tentar fazer isso, ela apenas reescreverá o problema repetidamente até que você o resolva. As ferramentas da tecnologia podem ser usadas para ajudar a resolver o problema que enfrentamos com nosso solo ou simplesmente para apagá-lo; apenas para revisitá-lo novamente. Tudo está na forma como escolhemos aplicar a tecnologia que definirá nosso caminho.

 A maior parte da infraestrutura da agricultura tecnológica disfuncional hoje está focada em mitigar o manejo de um recurso (solo) com uma variedade de insumos. Gastamos muito tempo, dinheiro e energia gerenciando insumos que mitigarão nossos erros históricos e atuais no manejo do solo. Nossa compreensão incorreta de como o solo funciona estruturou cada parte de como agora abordamos a produção agrícola e pecuária. 

A maioria das pessoas empregadas na agricultura hoje foi treinada e designada para lidar com os sintomas de sistemas defeituosos de cultivo ou pastagem aplicados ao solo disfuncional. Mas com uma compreensão de como o solo funciona como um sistema biológico, essas mesmas pessoas poderiam levar a agricultura em uma direção diferente em direção à sustentabilidade dos agricultores e da terra que eles cultivam.

Se você observar um pedaço de terra cultivada que foi abandonado, verá a natureza devolvê-la à vegetação original enquanto restaura a capacidade do solo de funcionar novamente. Este é o modelo para restaurar o solo. Menos perturbação, mais diversidade de plantas, raízes vivas o máximo possível e manter o solo coberto com plantas e resíduos de plantas o tempo todo. A degradação severa do solo já ocorreu em diversas partes do mundo. Agora temos a tecnologia e o conhecimento necessários para restaurar a saúde do solo e, ao mesmo tempo, produzir safras agrícolas com ainda mais lucro e prosperidade. A escolha é nossa sobre como desejamos proceder com a produção agrícola; em um caminho que restaura o solo, ou um que continua a degradá-lo.

Estou esperançoso ao observar um número cada vez maior de produtores compreendendo os conceitos de restauração da saúde do solo em suas terras. Ao mesmo tempo, estou preocupado com os produtores que ainda estão no caminho da agricultura de insumos e não estão cientes de que seu solo provavelmente continuará a declinar em sua capacidade de funcionar. Talvez pela primeira vez em aproximadamente 7.000 anos de história da agricultura humana, temos uma geração de agricultores que estão restaurando, em vez de degradar o solo. Os percursores da Revolução Verde, de meados do século 20, devem estar se remexendo no túmulo, fizeram sim maravilhas para alimentar os humanos neste planeta, somos muito gratos por todos, mas utilizando somente um barril que na época só cabia para parametrizar nossos solos agrícolas.






Texto traduzido e adaptado de:
https://www.agdaily.com/crops/stika-a-fork-in-the-road-for-agriculture/

May 7, 2020

Construindo um solo como um organismo vivo


Entender a saúde do solo significa avaliar e manejar para que ele funcione como um sistema favorável para as plantas e os microrganismos, tanto para agricultura como para pecuária. Ao monitorarmos as mudanças na saúde do solo, podemos determinar se um conjunto de práticas é sustentável de acordo com sua atividade biológica e, principalmente, com o resultado final de uma boa colheita.

Somente seres "vivos" podem ter saúde; portanto, ver o solo como um ecossistema vivo reflete uma mudança fundamental na maneira como cuidamos dele. Afinal, ele não é um meio de cultivo inerte, pois é composto de bilhões de bactérias, fungos e outros micróbios que são a base de um elegante sistema simbiótico de rede alimentícia do solo



O solo é um ambiente que deve ser gerenciado para fornecer abrigo e alimento para esses microrganismos que irão solubilizar, disponibilizar e fornecer os nutrientes e metabólitos para o crescimento das plantas. Em tempos modernos, conhecer o solo, as plantas e os microrganismos e saber do que eles precisam é o caminho para uma colheita bem-sucedida, fazendo o solo e os organismos trabalharem a nosso favor. Os microrganismos são os cozinheiros da fábrica, e monitorar a saúde do solo é tê-los como biomarcadores. Quanto mais cozinheiros, mais comida, mas esses cozinheiros também precisam de alimentos.

Muitas pessoas acreditam que os micróbios só precisam de açúcar. Bem, eles precisam de uma fonte de carbono, que seria o exsudato das plantas. Mas, na verdade, também necessitam de ferro, manganês, boro e cálcio, e de todos esses outros elementos minerais também necessários para as plantas e para nós, seres humanos. É dessa forma que se integra a bioquímica nos manejos como diferentes fontes e pontos de vista sobre nutrição.

Existem algumas ferramentas para auxiliar nesses manejos, e uma delas é o extrato de composto, aumentando a atividade biológica dos solos, e uma delas é o extrato de composto, um tipo de biofertilizante que contém diferentes microrganismos ativados em meio líquido com oxigenação e balanço nutricional apropriados para balancear a quantidade de fungos e bactérias desejadas. As ovelhas comem o pasto, que veio do solo; o pasto passa pelo trato intestinal das ovelhas, onde microrganismos degradam essa pastagem em carboidratos e nutrientes para o animal. Essa é a integração lavoura-pecuária. Mas podemos incrementar esse processo. No nosso caso, o esterco desses ovinos é coletado do aprisco, onde os animais ficam em sistema de semiconfinamento, e preparado em forma de substrato. Esse substrato, depois de processado e compostado, fica pronto entre 30 e 45 dias, para então ser inoculado com as minhocas, permanecendo por mais uns 30 dias, dependendo da temperatura ambiente. Ou seja, esse resíduo de carbono das plantas passará por dois tratos intestinais, das ovelhas e das minhocas, para então ser ativado em meio líquido como extrato de composto ou húmus líquido ativo e pulverizado na lavoura ou pastagem. Doses de 150 a 300 L/ha podem ser utilizadas durante os ciclos da cultura, mas sempre mensurando a qualidade do extrato e da produtividade em médio prazo. Aqui você encontra um manual em português de infusão do chá de compostagem.

Acreditamos que depende de seres vivos todo o mecanismo de construção de um solo vivo. A engrenagem é a mesma, mas o entendimento depende de engenharia reversa. Alguns adubos não solúveis em água, quando utilizados em solos com alta atividade biológica, permanecem disponíveis por mais tempo, apesar de insolúveis. São manejos para reter por mais tempo os nutrientes e fazer com que não lixiviem do solo e que fiquem "retidos" mas disponíveis para a absorção pelas raízes das plantas, e não somente aumentar a caixa de nutrientes para as plantas, mas sim torná-la mais resistente com produção estável.

Consórcio de plantas de cobertura, nutrientes minerais e adubos menos solúveis, pulverização de probióticos e organismos são algumas das principais ferramentas para incrementarmos a resiliência dos solos e aumentarmos a imunidade das principais culturas desejáveis. 



A atividade rural é uma escola com sequência de valores, em que podemos construir inteligência coletiva. Aprender, aprender e aplicar, aprimorando e pensando na complexidade. Nosso principal desafio é gastar menos, produzir cada vez mais e conservar. No agroeconegócio, produtividade é vaidade, lucro é sanidade, e rentabilidade é a rainha.


Fontes:

The Biological Farming - Garry Zimmer, 2017

Humusphere - Herwing Pommeresche, 2019