May 13, 2021

Sistema Milho: perguntas e respostas


Qual a produção aguardada para a safra 2020/2021?

Produtividade esperada era de 12 ton/ha
Produtividade realizada 11,4 ton/ha


Estiagem e doenças decorrentes da praga da cigarrinha impactaram esta temporada?

Sim, mesmo com os cultivos irrigados, sentimos a estiagem por diminuir a abundância de água nas barragens. Um dos nossos maiores desafios é o uso consciente de água para irrigação e isso vem sendo mitigado com melhorias na infiltração da água na lavoura, quando se constrói um perfil de solo o mesmo funciona como uma esponja, armazenando e estocando a água por mais tempo no solo para as plantas.

Para manejo de doenças e pragas, nossa estratégia está sendo trabalhar com o aumento da imunidade das plantas e torná-las mais resistentes às intempéries, gerenciando a causa e não somente os sintomas. Porém o que dificulta esse processo é que a forma como as sementes desses híbridos são produzidas pois tornam todo o sistema de produção de grãos de milho com uma grande dependência de moléculas químicas.

E houve sim perdas pela incidência de cigarrinha em híbridos de milho suscetíveis a essa praga. A perda estimada foi de 10%.


Na comparação com os mais recentes ciclos anteriores, aumentou a área cultivada e a produção obtida?

Aumentou a área cultivada, porém a produção foi menor do que planejada. Um dos motivos que limitam o aumento de área de milho em nosso sistema agrícola é o fato destes grãos ocuparem muito volume no armazenamento, competindo pelo espaço com grãos de soja.


O ganho de produtividade está vinculado a diversas variáveis. Escolha da semente mais adequada, bom preparo do solo, semeadura na janela certa de plantio, uso equilibrado de defensivos para controle de pragas e doenças, capacitação dos profissionais para semeadura e colheita adequados. Quais melhorias realizou nestas etapas nos últimos anos, e que entende que foram importantes para alavancar o desempenho da lavoura?

Realmente o resultado positivo de qualquer sistema de produção agrícola é o conjunto de fatores. Mas sair da Zona de conforto, fazer melhor e transformar o design de nosso pensamento com tantas mudanças que estamos vivendo, respeitar a natureza, ser rentavel, buscar prosperidade e abundância do sistema agricola foram a base para incrementar a produção. Para melhorar precisamos mudar como estamos manejando e as vezes aquilo que mais precisamos encontrar para essa melhoria pode estar onde menos queremos olhar.
Depender menos de insumos externos e mesmo assim usando tecnologias de alta qualidade, extraídas e produzidas no nosso país. Uma das melhorias foi buscar um ponto de vista biológico e acreditar que a agricultura do Brasil pode ser uma das mais limpas e rentáveis do mundo, comprovando que os agricultores podem sim consolidar um novo modelo de agroeconegócio brasileiro.



Utilizam alguma ferramenta digital [sensores, softwares, telemetria de máquinas etc] no dia a dia?

Utilizamos gps, piloto automático, mapeamento de fotometria com drones, telemetria para controle de umidade de grãos armazenados, gestão das áreas com mapas de colheita, um software para gestão de custos de produção e indicadores econômicos e contabilidade. Estamos utilizando um equipamento digital que mede a massa microbiana do solo. A agricultura digital é a cereja do bolo, porém ainda temos muito trabalho pela frente para conseguir rentabilizar e utilizar de forma mais assertiva todas informações dessas ferramentas, visto o excesso de informações.


Algo que gostariam de destacar que vem sendo fundamental para promover maior rendimento da lavoura?

Um grande passo foi o investimento em sistemas de irrigação e o que vem sendo fundamental é que buscamos cada vez mais uma visão de que a fazenda é um organismo agrícola. Nosso alicerce está sendo construído por plantas de cobertura, pulverização de microorganismos, adubação orgânica e mineral. Durante nossa entre-safra procuramos utilizar rotação de culturas onde reservamos 40% da área para produção de grãos e o restante das áreas com plantas de coberturas consorciadas para fechar as janelas de outono e primavera, mantendo o solo sempre coberto. Finalmente percebemos que o solo tem vida e que é fundamental alimentá-la com diversidade de outras espécies de coberturas outonais e invernais. Gramíneas com alta relação de carbono e leguminosas, brássicas e poligonáceas com maior relação de nitrogênio, criando um meio de cultura equilibrado para o sistema solo. Outra estratégia essencial para se fazer nesse arranjo de plantas é pulverizar comunidades de microorganismos para ativar ainda mais essa interação solo/microorganismos/plantas. Tudo isso para preparar e “engordar” o solo antes do plantio das culturas comerciais. A adubação de sistemas em nosso manejo ainda esta em fase de aprimoramento, mas já estamos trabalhando com adubação orgânica sólida e líquida, condicionadores de solos e adubos silicatados.

A integração-lavoura pecuária antes da cultura do milho para altos rendimentos ainda é um desafio, mas vemos com bons olhos todo tipo de integração de sistemas.

A melhor e principal ferramenta para aumentar o rendimento é procurar escutar e entender a natureza dos sistemas agrícolas e sempre acreditar que tudo dará certo quando se busca o equilíbrio. O milho e a soja são como reis e rainhas em nosso tabuleiro agroecosistêmico e a competição é melhorar sempre os resultados financeiros, sociais e ambientais desse organismo agrícola.




May 3, 2021

MODELOS DE COOPERATIVAS AGRÍCOLAS NA CHINA.


(ressuscitando um texto de 2017)

Cada vez que tínhamos alguma visita ou dia de campo, durante o workshop, era uma incógnita. No cronograma das atividades apenas mencionava "dia de visita" e quando perguntávamos aos organizadores o que iríamos visitar respondiam: "atividades agrícolas". Todos participantes ficavam inquietos pois a maioria preferiam saber onde e o sobre o que exatamente seria a visita.

Logo da CHINA CO-OP e da
empresa local
Era uma mega cooperativa que atua em quase todos os segmentos da cadeia de produção agrícola, com o objetivo de produção da matéria prima até o comércio com o consumidor final. Contempla uma rede de 30 mil sub-unidades com mais de 245 mil produtores cooperados.

O símbolo ou logo principal da cooperativa são esses quadrados com um círculo dentro, e a imagem da garça na lagoa é a referência quanto ao nome daquela unidade que visitamos.

Essa empresa é um misto de cooperativa público privada. Com uma estrutura organizacional privada, mas que presta contas para os orgãos públicos e aceitam sugestões sobre tipos de manejos. Eles sabem os tipos de insumos que precisam, compram do mercado geral, de revendas e distribuidores locais, fazendo diversos orçamentos.

No escritório  da  cooperativa.
A política financeira é muito interessante. Com um total apoio do estado, os recursos de financiamentos para estas cooperativas são de um fundo sem retorno de capital e com juros zero. Ou seja, o governo fornece o dinheiro e a cooperativa não precisa pagar de volta.

O principal cabeça da empresa é um militar aposentado. E isso ocorre na maioria das grandes e mega grandes empresas na China, sempre existirá uma ligação direta com o governo. O histórico do principal responsável e donos das empresas importa muito na hora de criar e registrar essa empresa para então se conseguir os recursos de fundo sem retorno e juros zero.




Frota de transplantadeiras e automotrizes.
Visitamos uma dessas unidades, que trabalha com 230 produtores rurais dos quais foram persuadidos a fazerem parte desta empresa, e prestarem serviços para ela. Digo persuadido pois se um dos produtores têm sua área no meio de outros dois que aceitaram assinar o contrato, este que esta no meio, não têm muitas opções. É aceitar a proposta ou ir para cidade e deixar sua área para outro que queira. A área total que essa cooperativa atua é próximo à 1.300 hectares. A China Co-op é uma rede de cooperativas que possui diversas filiais. Totalmente mecanizada com pulverizadores, automotrizes, tratores,  semeadoras e iniciando trabalhos com big data, mapeando todas as áreas e unificando a gestão de todas as operações.
A China CO-OP é apenas uma das grandes redes de empresas desse tipo, existem outras cooperativas e com estrutura bem parecida.

Segue uma apresentação em PDF que mostra um pouco da estrutura de mercado da China CO-OP.

A proposta de arrendamento das áreas pela cooperativa vale a pena, pois os agricultores chineses ganham o valor à vista antes da safra e ainda podem ganhar uma bonificação caso a colheita seja além da expectativa. E o contrato é válido até 2 anos após cada renovação. Com isso podem lucrar desta forma até R$10.500,00/ha. Porém a contrapartida é que esses agricultores façam todas as operações e manejos de plantio, aplicação de insumos e colheitas, acatando todas as sugestões dos responsáveis técnicos da cooperativa, que conta com grupos de engenheiros agrônomos especializados em cada área do processo produtivo.

Lavoura com grande escala de produção, graças a nova
reforma agrária chinesa.
O tamanho médio das áreas na China são em torno de 10 mu's. Onde 15 mu's equivalem a 1 hectare. Ou seja, o tamanho médio das áreas são de +- 0,7 hectares.  Por esse motivo, o governo chinês criou um mega projeto que já esta em prática a mais de 10 anos. Onde uma empresa cooperativa, procura por produtores que tenham suas áreas ligadas ou vizinhas uma das outras e fazem um contrato com esses produtores para unificarem as áreas. Dessa forma conseguem mecanizar e trabalhar em maior escala. Além disso, é uma forma de conseguirem armazenar boa parte da produção de grãos, centralizando maiores volumes nessas empresas, das quais irão reportar para o governo chinês sobre os estoques. Tanto para arroz, milho e soja produzidos dentro da China.

Sistema de armazenagem e secagem de grãos. Com vigas de ferro e telas, com ótimo custo benefício.


Não tem como falar nesse assunto das cooperativas da China sem falar do tipo de reforma agrária que a China esta passando. O que esta acontecendo naquele país é uma enorme reforma agrária para aumentar a escala de produção.

Quem fala em reforma agrária no Brasil com a intenção de dividir áreas esta totalmente equivocado.  Sabemos do desafio que existe e a diferença de renda entre produtores rurais, sim. Atualmente a agricultura familiar representa uma enorme fatia da produção no Brasil, com muita diversificação, assim como a agricultura empresarial que é também fundamental não só pelo fornecimento de grãos mas também por fornecer um superávit com sobra de grãos dos quais podemos exportar e nutrir toda a cadeia do agronegócios e empresas que vivem neste ramo. Por isso que falo em deixar de lado as demagogias e idealismos das diferenças entre esses sistemas de produção. Querendo ou não as multinacionais empregam muitos trabalhadores e excelentes profissionais brasileiros. Mas não devemos deixar a reforma agrária de lado, mas uma reforma nos para melhores planos agrícolas, com melhores planejamentos nas legislações sobre insumos e impostos absurdos que pagamos pelos herbicidas, fungicidas, inseticidas e fertilizantes, químicos ou biológicos. Necessitamos de mais estado para reformular essas leis de forma que tenhamos menos estado no futuro! Para assim fortalecer ambos os setores agrícolas.

A cooperativa arrenda as áreas dum grupo de produtores.

Já comentei uma vez aqui sobre o desenvolvimento rural na china e esses novos programas que o governo vem incentivando para unir as áreas dos produtores e conseguir aumentar a escala de produção

O que temos que parar de fazer é criar uma ideologia tola de direita e esquerda ou agricultura familiar e empresarial. Isso só deixam as pessoas segregadas uma das outras e criam desavenças que não precisam existir. Os setores agrícolas devem ser unidos, e claro, com leis específicas para cada realidade. Agora, tornar disso uma ideologia política só faz com que argumentos se transformem em ódio.


Aqui um pouco sobre a CHINA CO-OP


Presidente da cooperativa, ex-militar.

Ao fundo, nota-se duas jarras das quais têm uma salamantra
em cada, presente de um amigo do gerente da cooperativa.

Uma das enormes salamantras




Silos: telas de ferro e vigas de metal.












Trator e automotriz.



Pulverizador com acoplamento para graneleiro à lanço traseiro.


Automotriz.

Trator muito parecido com o que
conhecemos no Brasil.

Ração para peixes em uma piscicultura.





Campanha para o não disperiçar alimentos,
"o Alimento só é feliz dentro do estômago"






Farelo de soja: base para ração animal








Soja para consumo humano, "non gmo".




                                    Video que fiz com alguns takes do beneficiamento de arroz.




Fonte:

March 3, 2021

Pensamentos da Agricultura em tempos de pandemia.


Na agricultura muitos resultados acontecem de formas empíricas, mas têm como resultado final a busca por uma solução para nossas realidades rurais, utilizando da criatividade adaptativa das experiências vividas além das ciências agrárias.
 
Uma das práticas experimentadas é a do agro-pensamento positivista, em fazer a escolha certa dos sentimentos. Tendo em vista a filosofia de que não somente nós seres humanos possuímos sentimentos, mas os animais, plantas, microorganismos, solo e outros também possuem. E na prática o controle mental é muito mais importante do que o estudo de qualquer conhecimento ciêntífico. 

Afinal a solução acontece na nossa mente e precisamos estar em uma boa frequência mental para ter eficiência em nossas práticas e manejos agrícolas.

O primeiro passo percebido é começar a ter consciência dos sentimentos na medida em que eles aparecem, principalmente quando acontecem de forma inesperada, como uma previsão climática errada ou em dias que precisamos colher mas a umidade impede, ou dias secos para plantar. Normalmente nós somos levados no turbilhão de sentimentos de forma irracional e acabamos por agir ou tomar decisões ruins. O truque é perceber o sentimento ruim no momento que ele se apresente e modifica-lo.

Perceber o momento em que a ansiedade surge quando aquela planta demora para sair do solo, raiva quando a pulverização deriva, constrangimento ou qualquer outro tipo de sentimento incômodo aparece.... e então respirar fundo, sentir o ar entrando nas narinas, vento, o céu e o corpo relaxando e sintonizando sentimentos recebidos. Voltar para o momento presente. Entender o sentimento e o acontecimento que o desencadeou. Retomar o controle da mente e então transmutar o sentimento ruim em um sentimento bom quando pensamos naquela chuva abençoada molhando nossas plantas para se desenvolverem,  reproduzirem folhas, flores, frutos e sementes. Ótima e abundante colheita!

Para ir para o ponto neutro em praticamente qualquer situação em que tiver, ajustar a postura, coluna reta, ombros relaxados, rosto levemente inclinado para cima, olhar para o céu ou feche os olhos, unir as mãos e apenas respirar fundo algumas vezes. Existem diversas outras formas. Se ainda nunca deitou no meio do campo, recomendo fazer isso, sentindo o peso do corpo sobre o solo, microorganismos, plantas com toda imensidão do universo sobre. Fazendo isso um dia, pode-se sentir o poder da imensidão do universo.

Perceber o sentimento no momento que acontece, começando a praticar essa percepção e passar a fazer transmutação sempre que qualquer sentimento ruim aparecer. Com a prática isso se tornará automático e assim teremos um pouco a mais de controle sobre si mesmo e  objetivos, podendo mudar a frequência desses objetivos materiais.

Fontes:

GAAS - Abordagens Quânticas
Willian Walker Atkinson
Rafael Zen

February 3, 2021

Bioeconomia na Agricultura

https://open.spotify.com/episode/5DP5nlOSiAhr69IoAXxcx3?si=SfYFS-PeQ6SAUPWmFmQsyQhttps://open.spotify.com/episode/5DP5nlOSiAhr69IoAXxcx3?si=SfYFS-PeQ6SAUPWmFmQsyQ

https://open.spotify.com/episode/5DP5nlOSiAhr69IoAXxcx3?si=SfYFS-PeQ6SAUPWmFmQsAlgum tempo atrás tive a oportunidade de participar de um evento sobre bioeconomia na Universidade da Unijuí em Ijuí-RS. Apresentei em um painel algumas técnicas que estamos desenvolvendo dentro da fazenda e também idéias sobre possibilidades de novos designs de manejos para melhorar o sistema como um todo. 





https://www.balticsea-region-strategy.eu/news-room/highlights-blog/item/61-bioeconomy-beyond-statistics

February 2, 2021

A saúde do solo cria uma bifurcação no caminho para a agricultura



Por Jon Stika 
Publicado em Abril de 2018

“Se você tem mais carbono entrando em seu solo do que deixando-o, seus filhos provavelmente cultivarão sua terra. Se você tem mais carbono deixando seu solo do que entrando, provavelmente não vai. ” - Jay Fuhrer, especialista em saúde do solo, NRCS North Dakota 

A agricultura chegou a uma bifurcação. O caminho que cada produtor escolhe seguir pode ser a maior decisão que ele ou ela tomará na vida; ou para a próxima geração que vai cultivar suas terras. 

A questão é: você usará a tecnologia e os dados atuais para restaurar seu solo ao seu potencial total, ou usará a tecnologia apenas para gerenciar insumos enquanto produz safras em solo cada vez mais disfuncional?

 Tratar os sintomas insalubre do solo é caro, interminável e leva agricultores e pecuaristas à falência todos os anos. A tecnologia de hoje, infelizmente, nos permite gerenciar solos danificados com precisão. Continuar a sustentar o solo disfuncional ao fornecer insumos com mais precisão não é o caminho para um futuro próspero para ninguém.

 Devemos resolver o problema do solo degradado, não reforçá-lo com insumos até que o sistema entre em colapso total. É mais do que provável que cada um de nós tenha resolvido um problema de matemática no quadro-negro (ou quadro branco, conforme o caso) na escola. Se você tivesse um professor como o meu, não poderia sentar-se até que resolvesse o problema. Você não tinha permissão para simplesmente apagar o problema e ir embora. 

Ao lidar com o solo, a natureza é a professora, e ela não deixará você apagar o problema e se sentar - se você tentar fazer isso, ela apenas reescreverá o problema repetidamente até que você o resolva. As ferramentas da tecnologia podem ser usadas para ajudar a resolver o problema que enfrentamos com nosso solo ou simplesmente para apagá-lo; apenas para revisitá-lo novamente. Tudo está na forma como escolhemos aplicar a tecnologia que definirá nosso caminho.

 A maior parte da infraestrutura da agricultura tecnológica disfuncional hoje está focada em mitigar o manejo de um recurso (solo) com uma variedade de insumos. Gastamos muito tempo, dinheiro e energia gerenciando insumos que mitigarão nossos erros históricos e atuais no manejo do solo. Nossa compreensão incorreta de como o solo funciona estruturou cada parte de como agora abordamos a produção agrícola e pecuária. 

A maioria das pessoas empregadas na agricultura hoje foi treinada e designada para lidar com os sintomas de sistemas defeituosos de cultivo ou pastagem aplicados ao solo disfuncional. Mas com uma compreensão de como o solo funciona como um sistema biológico, essas mesmas pessoas poderiam levar a agricultura em uma direção diferente em direção à sustentabilidade dos agricultores e da terra que eles cultivam.

Se você observar um pedaço de terra cultivada que foi abandonado, verá a natureza devolvê-la à vegetação original enquanto restaura a capacidade do solo de funcionar novamente. Este é o modelo para restaurar o solo. Menos perturbação, mais diversidade de plantas, raízes vivas o máximo possível e manter o solo coberto com plantas e resíduos de plantas o tempo todo. A degradação severa do solo já ocorreu em diversas partes do mundo. Agora temos a tecnologia e o conhecimento necessários para restaurar a saúde do solo e, ao mesmo tempo, produzir safras agrícolas com ainda mais lucro e prosperidade. A escolha é nossa sobre como desejamos proceder com a produção agrícola; em um caminho que restaura o solo, ou um que continua a degradá-lo.

Estou esperançoso ao observar um número cada vez maior de produtores compreendendo os conceitos de restauração da saúde do solo em suas terras. Ao mesmo tempo, estou preocupado com os produtores que ainda estão no caminho da agricultura de insumos e não estão cientes de que seu solo provavelmente continuará a declinar em sua capacidade de funcionar. Talvez pela primeira vez em aproximadamente 7.000 anos de história da agricultura humana, temos uma geração de agricultores que estão restaurando, em vez de degradar o solo. Os percursores da Revolução Verde, de meados do século 20, devem estar se remexendo no túmulo, fizeram sim maravilhas para alimentar os humanos neste planeta, somos muito gratos por todos, mas utilizando somente um barril que na época só cabia para parametrizar nossos solos agrícolas.






Texto traduzido e adaptado de:
https://www.agdaily.com/crops/stika-a-fork-in-the-road-for-agriculture/

May 7, 2020

Construindo um solo como um organismo vivo


Entender a saúde do solo significa avaliar e manejar para que ele funcione como um sistema favorável para as plantas e os microrganismos, tanto para agricultura como para pecuária. Ao monitorarmos as mudanças na saúde do solo, podemos determinar se um conjunto de práticas é sustentável de acordo com sua atividade biológica e, principalmente, com o resultado final de uma boa colheita.

Somente seres "vivos" podem ter saúde; portanto, ver o solo como um ecossistema vivo reflete uma mudança fundamental na maneira como cuidamos dele. Afinal, ele não é um meio de cultivo inerte, pois é composto de bilhões de bactérias, fungos e outros micróbios que são a base de um elegante sistema simbiótico de rede alimentícia do solo



O solo é um ambiente que deve ser gerenciado para fornecer abrigo e alimento para esses microrganismos que irão solubilizar, disponibilizar e fornecer os nutrientes e metabólitos para o crescimento das plantas. Em tempos modernos, conhecer o solo, as plantas e os microrganismos e saber do que eles precisam é o caminho para uma colheita bem-sucedida, fazendo o solo e os organismos trabalharem a nosso favor. Os microrganismos são os cozinheiros da fábrica, e monitorar a saúde do solo é tê-los como biomarcadores. Quanto mais cozinheiros, mais comida, mas esses cozinheiros também precisam de alimentos.

Muitas pessoas acreditam que os micróbios só precisam de açúcar. Bem, eles precisam de uma fonte de carbono, que seria o exsudato das plantas. Mas, na verdade, também necessitam de ferro, manganês, boro e cálcio, e de todos esses outros elementos minerais também necessários para as plantas e para nós, seres humanos. É dessa forma que se integra a bioquímica nos manejos como diferentes fontes e pontos de vista sobre nutrição.

Existem algumas ferramentas para auxiliar nesses manejos, e uma delas é o extrato de composto, aumentando a atividade biológica dos solos, e uma delas é o extrato de composto, um tipo de biofertilizante que contém diferentes microrganismos ativados em meio líquido com oxigenação e balanço nutricional apropriados para balancear a quantidade de fungos e bactérias desejadas. As ovelhas comem o pasto, que veio do solo; o pasto passa pelo trato intestinal das ovelhas, onde microrganismos degradam essa pastagem em carboidratos e nutrientes para o animal. Essa é a integração lavoura-pecuária. Mas podemos incrementar esse processo. No nosso caso, o esterco desses ovinos é coletado do aprisco, onde os animais ficam em sistema de semiconfinamento, e preparado em forma de substrato. Esse substrato, depois de processado e compostado, fica pronto entre 30 e 45 dias, para então ser inoculado com as minhocas, permanecendo por mais uns 30 dias, dependendo da temperatura ambiente. Ou seja, esse resíduo de carbono das plantas passará por dois tratos intestinais, das ovelhas e das minhocas, para então ser ativado em meio líquido como extrato de composto ou húmus líquido ativo e pulverizado na lavoura ou pastagem. Doses de 150 a 300 L/ha podem ser utilizadas durante os ciclos da cultura, mas sempre mensurando a qualidade do extrato e da produtividade em médio prazo. Aqui você encontra um manual em português de infusão do chá de compostagem.

Acreditamos que depende de seres vivos todo o mecanismo de construção de um solo vivo. A engrenagem é a mesma, mas o entendimento depende de engenharia reversa. Alguns adubos não solúveis em água, quando utilizados em solos com alta atividade biológica, permanecem disponíveis por mais tempo, apesar de insolúveis. São manejos para reter por mais tempo os nutrientes e fazer com que não lixiviem do solo e que fiquem "retidos" mas disponíveis para a absorção pelas raízes das plantas, e não somente aumentar a caixa de nutrientes para as plantas, mas sim torná-la mais resistente com produção estável.

Consórcio de plantas de cobertura, nutrientes minerais e adubos menos solúveis, pulverização de probióticos e organismos são algumas das principais ferramentas para incrementarmos a resiliência dos solos e aumentarmos a imunidade das principais culturas desejáveis. 



A atividade rural é uma escola com sequência de valores, em que podemos construir inteligência coletiva. Aprender, aprender e aplicar, aprimorando e pensando na complexidade. Nosso principal desafio é gastar menos, produzir cada vez mais e conservar. No agroeconegócio, produtividade é vaidade, lucro é sanidade, e rentabilidade é a rainha.


Fontes:

The Biological Farming - Garry Zimmer, 2017

Humusphere - Herwing Pommeresche, 2019

April 27, 2020

Cobertura com mix de plantas, consórcio, blend ou coquetel de plantas:





As respostas com diversidade de plantas consorciadas favorece muito a melhora da saúde do solo, pois macro e microagregados são formados, funcionando como uma esponja. É onde se encontram os microorganismos, nestes agregados, nas raízes,  na argila, no silte, na areia, na matéria orgânica e no húmus. Nesta "amarração" também precisamos de oxigênio no solo, gerando o agregado estável, favorecendo a retenção de água no solo. Diferentes plantas e combinações de espécies de cobertura estimulam a microbiota do solo pela combinação dos exudatos emitidos pelas raízes dessas plantas.


Em termos práticos, se a natureza climática ocorrer dentro do esperado, a meta deste manejo de cobertura é também evitar aplicação de herbicida antes do plantio de verão, rolando ou deitando a cobertura para formar um colchão de palhada. Esse método é muito bom pois faz com que a planta tenha sua seiva bloqueda, preservando por mais tempo os exudatos
das raízes e mantande as raízes por mais tempo no solo.

São as bactérias e fungos benéficos que fazem a fixação e solubilização de nutrientes, ativação da biologia do solo, fixação de carbono, aumento de micorrizas, descompactação, reequilibrio, aumento de matéria organica e húmus... São esses alguns dos benefícios destes consórcios.

Tudo isso para preparar o solo antes do plantio das culturas de verão. 

Existem empresas que comercializam essa mistura pronta, ou podemos produzir na fazenda o próprio consório com ótima qualidade. Um dos outros desafios é conseguir colher a mistura e ainda poder usa-lá para semear no outro ano com sementes viáveis ou poder fornecer esse balanço nutritivo de grãos para alimentação, moendo num triturador para fazer farinha de diferentes espessuras, tanto para consumo humano como para animal. Ja fiz um relato sobre um produtor rural na frança que colhe seus mix de coberturas para alimentação de seu rebanho leiteiro neste link aqui.

Tem um manual com algumas espécies e as quantidades de cada uma para se fazer uma mistura como a que fizemos nas fotos ao lado, lembrando que essas quantidades devem variar de acordo com o que se deseja para o solo de cada região e principalmente o clima.



















Fontes:

Fotos tiradas na safra de 2019/2019

Plantas de cobertura e física do solo - Onã da Silva Freddi (UFMT) - 8º Dia de Campo sobre Sistemas Integrados de Produção Agropecuária, realizado pela Embrapa Agrossilvipastoril e Senar-MT nos dias 19 e 20 de abril de 2018, em Sinop (MT).

Plantas de Cobertura - Calegari responde: Qual a melhor planta para cobertura do solo, 24 de mai. de 2019

March 29, 2020

Densidade Nutricional da Soja Biológica


Estamos vivendo em um novo modelo de agricultura, um modelo onde se busca valorizar o solo como um ser vivo e o protagonista para melhoria da qualidade dos alimentos. 

Aqui na fazenda estamos vivenciando a era da agricultura de processos, onde buscamos reutilizar materiais e resíduos orgânicos de volta para o solo, alimentando ele. Alguns desses resíduos orgânicos funcionam como bioativadores do bioma do solo. Nosso objetivo é transformar os grãos de soja em medicamentos, em alimentos com alta densidade nutricional. Esse é o foco do trabalho com agricultura biológica. Além de utilizar variedade de soja livre de transgênicos, o fundamento principal é tornar as plantas com alta imunidade, onde elas criem resistência natural contra pragas e doenças, necessitando de mínimo manejo químico. Para isso necessitamos trabalhar com a saúde do solo utilizando remineralizadores, adubos menos solúveis, manejo biológico com probióticos, fermentados para o solo e plantas de cobertura. Isso tornará os grãos produzidos com alta qualidade e densidade nutricional. 

Nesse ponto podemos concluir que tudo que se coloca no solo de minerais e microorganismos que também  estimulam a planta a produzir algumas vitaminas e aminoácidos onde transforma e carrega em seus grãos esses elementos.

Nosso objetivo é transformar as plantas e os grãos em seres capazes de armazenar essas qualidades nutricionais e fornecer um alimento com diferencial em qualidade. Ainda acreditamos que podemos transmitir as melhores das intenções durante o processo de formação dessas plantas com técnicas de ionização e bioquântica.








March 12, 2020

O SOLO É UM ESTOMAGO


Existe uma boa analogia de que o solo é essencialmente o estômago da planta. É nele que a planta recebe seus nutrientes. Da mesma forma que um rúmen, o solo requer insumos como minerais, água e matéria orgânica na forma de resíduos, adubo ou compostos. E semelhante ao rúmen, o solo não pode fornecer nutrientes para o crescimento das plantas de forma muito eficiente, sem a ajuda de microorganismos. 

Em um sistema equilibrado e produtivo, para que os nutrientes sejam convertidos na forma que as raízes das plantas possam absorver, é necessário a presença de bactérias, fungos e outras formas de vida benéfica no solo. Uma exceção a isso é o atual sistema de agricultura em que os insumos solúveis são aplicados em uma forma prontamente disponível para as plantas, as vezes muito salinos ou esterelizantes para biota. 

No entanto, se você adicionar muitos nutrientes solúveis, é semelhante a alimentar uma vaca com grãos em excesso. Isso perturba o equilíbrio, ficando ambos plantas e solo desequilibrados, estressados e favorecendo o ataque de pragas e doenças. O solo precisa ser alimentado com um equilíbrio de minerais e matéria orgânica suficiente para manter ativa a vida do solo constantemente (Edaphon) e nutrientes disponíveis para o cultivo de plantas para que os microorganismos fiquem mais próximos das raízes. Por isso o tripé de plantas de cobertura diversificadas, aplicação de microorganismos solubilizadores e adubos menos salinos e mais minerais que se integrem com esse sistema.






Fonte:

The Biological Farming - Garry Zimmer, 2017

Humusphere - Herwing Pommeresche, 2019


March 11, 2020

Aceitando a independência do setor primário




Nós produtores e, principalmente, nossos representantes, devemos ficar atentos. Existe um enorme potencial mercadológico dentro desse novo segmento que surge na era biológica, que podemos denominar de AGROECONEGOCIO. Já vimos uma cena nada favorável das Federações Agrícolas que deveriam nos representar, mas aceitam valores abusivos de royalties cobrados pelo uso de novas biotecnologias. Acreditamos que toda tecnologia têm seu valor e merece reconhecimento na pesquisa, mas desde que não seja uma cobrança abusiva para o setor primário. Caso nossos representantes voltem a se corromperem pela indústria, veremos a mesma cena acontecendo nessa nova indústria dos insumos biológicos. Sabemos que hoje é possível trabalhar com microorganismos ativados na própria fazenda - onfarm - , desde organismos naturais presentes nos estercos de ruminantes e nas matas nativas, assim como cepas selecionadas, organismos vivos, de origem e oferecidos por Instituições de Pesquisas. 

A indústria de produtos biológicos já apresenta um comportamento ganancioso e interessada em abocanhar novamente boa parte do lucro de nosso setor primário, buscando de todas as formas patentear algumas cepas ou misturando contaminantes para evitar a produção natural, fermentação de seus produtos. Esses organismos são seres vivos...  É uma pena que essas indústrias não estejam ao lado dos produtores rurais de forma empática e que, ao invés disso, entram em conflito e se opõem. Existem casos de consultores que foram intimados por organizarem treinamentos que instruem agricultores a fazerem seu próprio insumo. É como se a indústria dos molhos de tomate ameaçasse um agrônomo que ensinou um restaurante a ter uma produção de tomates em seu quintal imaginando que, dessa forma, esse agrônomo e seu restaurante atrapalhariam,  comercialmente, as vendas de tomate processado e dariam um mau exemplo pois estariam criando uma disrupção no sistema. Mesmo o lucro ficando com o restaurante e movesse a economia destes locais.

Um microorganismo produzido na propriedade rural nada mais é do que uma forma de cerveja artesanal. No início se começam com panelas pequenas, no fogão de casa e depois pode-se evoluir para tanques maiores e mais automatizados. Se, por acaso, durante o processo o odor não estiver muito agradável, basta descartar a batelada e ainda podemos fazer análises laboratoriais e ter certeza da qualidade dos fermentados e descobrir o que deu errado. Mas quem aprecia cerveja artesanal, ou já acompanhou quem faz, sabe que um dos segredos está no cuidado com a limpeza durante o processo e que, mesmo em panelas pequenas, podemos fazer cervejas de excelente sabor. Os outros segredos só são descobertos por quem tem atitude e começa a fazer.


fazer cerveja em casa
Produção de cerveja IPA em casa. fonte: https://vinhosecervejas.com.br


Tanques de produção de insumos orgânicos onfarm para uso próprio. Fazenda Cambará




Would this be too much to ask for? (No idea how to make my 5 gal batches into this monumental task, but someday.  Someday...)
Equipamentos para brassagem de cervejas. Fonte: www.brewplants.com/


Equipamentos para produção de insumos orgânicos onfarm, para agricultura. Fonte: Solubio


Utilizar métodos de pulverizações inundativas, mantendo os microorganismos vivos e ativos por mais tempo para alimentar o solo e proteger as plantas, é uma das ações dentro desta prática. Por experiência própria, o maior desafio ainda é o controle da ferrugem asiática, se falando em soja, mas temos convicção de que se alimentarmos os microorganismos do solo para que eles alimentem a planta e quando essas plantas forem bem nutridas sem excessos ela quem irá ativar os beneficios do solo, ocorrendo balanços na relação de nutrientes, poderemos sim ter vegetais com maior imunidade ás pragas e doenças. Porém o que percebemos Brasil a fora é que ultimamente algumas práticas dentro das propriedades rurais estão sobrepondo muitas teorias e irritando alguns renomados consultores já que têm sua formação baseada em ensinamentos, referências e métodos de pesquisa cartesianos e planificados. Muitos agricultores e consultores estão lutando para entender uma metodologia de produção inteiramente nova. A nosssa única libertação é o conhecimento, tudo é motivo de aprendizado

A ERA DO CONHECIMENTO

Devemos nos unir mais quando o assunto é conhecimento, segundo a cultura asiática é o único bem que consideram compartilhável, o que explica a forma como quebram patentes de direitos industriais e intelectuais. O conhecimento deve ser compartilhado, e mesmo nesse novo mercado de vendas de cursos online de todos os tipos, ainda se encontram muitos videos e informações gratuitas, é só procurar na rede.

A tecnica de venda da qual o negociador utiliza a inveja para acertar o ego do possível comprador esta com os dias contados, e esperamos que a forma como irão comercializar  novos produtos agrícolas utilizem técnicas de venda menos prostituídas.

O núcleo desse novo paradigma é o reconhecimento de que a ciência moderna confirma uma idéia antiga, a idéia de que a consciência é como se fosse um solo e nele tudo pode existir, agregando experiências que irão refletir na construção e formação de um novo perfil.

O sucesso desta nova agriculura é a paz de espírito, que é um resultado direto da satisfação consigo mesmo por saber que você se esforçou  para dar o seu melhor em se tornar o melhor que é capaz de ser. Portanto, como diria o Prof Luiz José Garcia "devemos viver como se fossemos morrer amanhã e fazer agricultura como se fossemos viver cem anos"



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October 7, 2019

ARTE NA AGRICULTURA


Produtores de Shenyang, da província de Liaoning, na China, criam todo ano desenhos incríveis em lavouras de arroz. A maioria desses desenhos tem significados muito interessantes que remetem a fé, perseverança e costumes culturais e, através desses desenhos, entendem que estão abençoando a agricultura. Esaa técnica de desenhos, também conhecida como Tanbo Art, já foi utilizada por alguns países orientais onde visitamos como sendo uma “empresa rural parque”, quase como uma cooperativa agrícola nos moldes de organização oriental.



A área total da fazenda mede quase 70 hectares e o maior desenho que, na época, era um dragão, abrangia 15 hectares. Esse é um meio de promoção da agricultura na forma de arte e também a integração do meio urbano com o rural.

Nessa fazenda, ao sul de Shenyang, os quase 100 produtores trabalham unidos com uma empresa ligada ao Ministério da Agricultura chinês para demonstrar técnicas de projeção em 3D, agricultura de precisão, sistemas agrícolas, agregação de valor, negócios e filosofia. Tudo isso para incentivar os adultos e as crianças das cidades a terem uma relação com o campo e amor à agricultura e, ao mesmo tempo, ter acesso a produtos diretamente do campo para a mesa.


                            


Nos desenhos são utilizados diverss cultivares de arroz, com diferentes ciclos para sincronizar e escalonar o florescimento, a abertura de panícula, a cor e o tamanho. Tudo isso levando em consideração as tonalidades naturais das plantas, contrastando umas com as outras, para formarem os desenhos dimensionais. Aqui compartilho um vídeo que filmei com um exemplo fantástico de código QR, utilizando cultivares de grãos negros.


O DRAGÃO

Conforme relatado por Shuowen Jiezi e Guanzi, muitas imagens de dragões orientais mostram uma pérola flamejante sob o queixo ou em suas garras. A pérola é associada com energia espiritual, sabedoria, prosperidade, poder, imortalidade, trovão ou com a lua. A arte chinesa geralmente retrata um par de dragões perseguindo ou brigando pela pérola flamejante. Os dragões chineses são, ocasionalmente, representados com asas semelhantes a morcegos que crescem dos membros anteriores, mas a maioria não tem asas, já que sua habilidade de voar (e controlar chuva, água e outros efeitos da natureza) é mística e não é vista como resultado de sua atividade e seus atributos físicos.

O dragão também adquiriu uma gama quase ilimitada de poderes sobrenaturais. Dizem que é capaz de se disfarçar de bicho da seda ou se tornar tão grande quanto todo o nosso universo. Pode voar entre as nuvens ou se esconder na água. Ele pode formar nuvens, pode se transformar em água, pode mudar de cor com uma capacidade de se mesclar com o ambiente, como uma forma eficaz de camuflagem, e pode até mesmo brilhar no escuro. Na foto a seguir, a pérola está na na mão do dragão no campo ao lado, na continuação do bigode mas, infelizmente, ela precisou ser recortada e não conseguimos enxergá-la em sua totalidade. 

As vezes é interessante refletirmos um pouco sobre quem são esses compradores de praticamente metade da soja brasileira.



Infelizmente hoje o dragão passou a ser símbolo de mafiosos em forma de tatuagens. Mas isso ocorreu por conta de um filme onde o vilão utilizava tatuagens de dragão e, por isso, acabou virando moda entre alguns criminosos na China. Semelhante à época de lançamento do filme Velozes e Furiosos que, passados alguns meses, víamos nas ruas a repercussão do filme.

A colheita é feita separadamente para não ocorrer mistura de cultivares. Os alimentos são considerados bens sagrados e a população os valorizam muito, desde a Grande Fome, em que mais de 30 milhões de pessoas morreram por falta de comida, consequência de uma má gestão pública que arrasou o meio rural. Hoje, essa valorização do alimento na China explica a peculiar característica dos chineses de se alimentarem de itens considerados estranhos por nós, ocidentais. Os grãos sempre foram a principal fonte de alimentação dos chineses. Na época, a empresa agrícola que administrava as áreas estava buscando empresas parceiras de outros países para abranger e exportar suas técnicas e métodos.

September 1, 2019

ENCONTRO SOBRE SAÚDE DO SOLO


Já fazem 4 anos que comecei a procurar entender melhor os "manejos biológicos" e aos poucos iniciando essas práticas na fazenda, mas foi a partir do workshop sobre Produção Segura de Grãos que despertei para área de agricultura biológica, e desde então vi esse assunto ganhar cada vez mais espaço. Uma tendência sem volta. Vou listar abaixo algumas anotações que fiz durante o encontro técnico sobre saúde do solo na Universidade de Davis-CA

Em Agosto de 2019 tivemos a oportunidade em participar de um encontro de produtores e consultores americanos sobre soluções inovadoras referente a saúde do solo promovido pela Acres.  O objetivo e simples e claro, tornar um solo biologicamente ativo e equilibrar os nutrientes para tornar as plantas que crescem nesse meio resistente a pragas e doenças e ainda ter alta densidade nutricional. Soluções estas que sempre existiram mas somente agora se encaixam, como um quebra-cabeças em larga escala. Abaixo iremos citar alguns pontos positivos que achamos relevantes do encontro:

Visita a empresa BioMarrone


Como fazer seu solo trabalhar pra você? 

Aumentando a atividade biológica dele, fazendo com que os microorganismos trabalhem, criando ambiente ótimo e nutrindo-os com “refeições caprichadas”. Os minerais equilibram e dão condições aos micróbios alimentarem as plantas. Plantas e microorganismos criam um tipo de bioquímica que esta sendo muito estudada, pois sabe-se que a utilização de micróbios sozinhos não funcionam direito, mas quando junto de outros têm grande eficiência em nutrir as plantas e se conectarem, aumentando a imunidade e resistência contra algumas pragas e doenças.
Uso dos métodos de equilibrio de bases e elementos traços (por Willian Albrecht) balanço químico do solo integrando manejos que aumentem a atividade biológica. O ideal é integrar práticas e conceitos. Primeiro, organizar os minerais tendo em vista a microbiota do solo, seguido do equilíbrio biológico. Solo saúdavel é um solo extremamente produtivo.



Consultor Gary Zimmer, demonstrando analogias e exemplos práticos de agricultura biológica


Muitos nutrientes como fósforo são complexados pela química e disponíbilizados pela biologia.


Visita a fazenda onde usa compostagem larga escala
Tudo é uma questão do equilíbrio do valor elétrico do solo e das cargas. Como saber se teu solo esta com condutividade elétrica adequada? Usar um condutivímetro para medir, sempre com umidade no solo. Plantas na fase vegetativa de 0,2 a 0,4. Fase reprodutiva 0,5 a 0,9. Se marcar 0,0 não existe vida no solo ou solo muito seco. Acima de 1,0 cargas em excesso. Ir afundando a haste do conditivímetro até o final, lentamente, quanto menos variar a carga (0,2~0,4) melhor. A umidade do solo funciona como se fosse um líquido de bateria, é quem segura toda eletricidade. No solo, muita eletricidade torna indisponível nutrientes e desequilíbra a simbiose dos microorganismos com os vegetais.  Plantas e micróbios do solo criam bioquímica junto às raíses e quando em interação com outros organismos. Nesse sistema os microorganismos interagem entre si e alimentam as plantas. Análises de solo são precisas porém ambíguas, não é somente pelo nutriente que existe no solo, mas sim pelo que exatamente a planta esta se alimentando.  Método inovador de análise de tecido vegetal SAP, trabalham com equilíbrio funcional de nutrientes na planta pelo tecido vegetal visando renutrição voltada para aumentar a imunidade vegetal e melhorar resistência de pragas e doenças nos vegetais, consequentemente aumentando a densidade nutricional.

Bioprotetores, bioestimulantes, bionutrição: novos termos, novas tendências.


Monitoramento da saúde do solo é ter micróbios como biomarcadores.

Cálcio é a mãe, Fósforo o pai, Magnésio o filho problemático e o Enxofre o filho ativo. Cálcio é quem realmente manda na casa. O Boro é como se fosse o amor entre Cálcio e Fósforo. Os demais elementos cavalgam para dentro da planta nas costas do cálcio. A melhor forma de se corrigir uma carência é eliminando-se os excessos. 

A planta não pode ter dia ruim. O “conforto vegetal” garante altas produtividades aliado a “memória genética” das sementes trabalhadas dentro de um programa de melhoramento com manejos de agricultura biológica. 

De nada adianta utilizar produtos a base de micorrizas se o teu solo ainda não esta com boa aeração e atividade biológica. No mínimo deve haver uma relação fungo/bactéria dependendo do tipo de cultura,  para então povoar com micorrizas, essas irão trabalhar e disponibilizar nutrientes para as plantas.

Fração húmica. O nitrogênio deve estar em forma orgânica no solo, ficará retido no solo porém disponível para as plantas. Para clima temperado (faixa ótima de temperatura para proliferação de microorganismos) a melhor forma é carregar o solo com diversas plantas de cobertura, aproveitar a úmidade na entressafra e deixar o solo mais ativo possível, podendo adubar/pulverizar chá de composto, biofertilizantes, E.M. (microorganismos eficientes da mata)... ativando e adubando essas plantas de coberturas, quanto mais biodiversas e maior quantidade de carbono melhor. Comprovado que grande biodiversidade destes microorganismos  suprimem a maioria das doenças de solo. 

Diminuir os custos de produção e aumentar ou manter a produtividade, aumentando a RENTABILIDADE. De nada adianta produzir mais se os custos irão aumentar sem impactar num aumento da rentabilidade nas propriedades rurais.

Muitos destes manejos e informações acima não são novidades no Brasil, e já estão sendo aplicados em larga escala, e com maiores complexidades atribuídas ao clima tropical e avanços com relação ao uso do Silício por exemplo. O GAAS (Grupo Associado de Agricultura Sustentável) é onde encontram-se produtores, pesquisadores e consultores envolvidos com estes manejos para diversas culturas como soja, milho, cana, algodão, café, hortaliças... Depois desse encontro técnico em Davis-CA, percebemos que em termos de agricultura sustentável e produção onfarm, o Brasil esta no caminho para se tornar um grande líder mundial e o caminho é sem volta, pois estamos criando uma agricultura de processos e não de insumos. É a solução para tornar o produtor rural interdependente e potencializar o setor primário. Aqui tem mais infos sobre o GAAS: www.grupoagrisustentavel.com.br


Multiplicação onfarm:
** para brassagens/fermentações de probióticos onfarm procure um agrônomo ou profissional responsável que tenha esse conhecimento, buscando sempre cepas certificadas e de origem com a Embrapa ou institutos de pesquisas.  Testes de patologia também são importantes para garantir a qualidade da brassagem antes de pulveriza-las na lavoura.

*** Você torna-se um agrônomo até que você vá até o campo e aplique os conhecimentos adquiridos.

 @chiapeta_ag


August 22, 2019

Reciclagem de Conhecimento





Defensivos, pesticidas, biofungicidas, remineralizadores, agrominerais, probióticos para o solo, inseticidas, biofertilizantes, compost tea, micro e macroorganismos... uma gama de diversos nomes para a mesma função: proteger e nutrir as plantas. Mas então, como tornar essa planta protegida por mais tempo? Mantendo a planta com a imunidade alta pois, dessa forma, pragas e doenças não se aproximarão da lavoura". Uns dirão que isso é impossível, enquanto outros já concretizam sucesso com maiores rentabilidade em suas lavouras nessa nova era da agricultura biológica e regenerativa.

Tem ocorrido uma mudança radical no entendimento dos fundamentos da biologia com relação à agricultura e, até mesmo, relacionada às novas tendências do consumo de alimentos nas grandes capitais.
A ciência se desenvolve a partir de dúvidas e controvérsias. A agricultura somente sobreviverá se for pautada por rentabilidade e reconstrução do solo. Precisamos nos unir e desenvolver tecnologias para continuar na atividade." - Tossi




Utilizar métodos de pulverizações inundativas, mantendo os microorganismos vivos e ativos por mais tempo para alimentar o solo e proteger as plantas, é uma das ações dentro dessa prática. Por experiência própria, o maior desafio ainda é o controle da ferrugem asiática, aqui no Rio Grande do Sul, se falando em soja, mas temos convicção de que se alimentarmos os microorganismos do solo para que eles alimentem a planta, via metabolitos, e ocorram balanços inovadores na relação de nutrientes, poderemos, sim, ter vegetais com maior imunidade às malezas. Porém, o que percebemos Brasil afora é que, ultimamente, algumas práticas dentro das propriedades rurais estão sobrepondo muitas teorias e irritando alguns consultores vinculados, já que tem sua formação baseada em ensinamentos, referências e métodos de pesquisa cartesianos e planificados. Mas muitos agricultores e consultores estão lutando para entender uma metodologia de produção inteiramente nova. 

A nossa única libertação é o conhecimento, afinal tudo pode – e deve – ser visto como uma oportunidade de aprendizado e reciclagem de conhecimento.