May 7, 2020

Construindo um solo como um organismo vivo


Entender a saúde do solo significa avaliar e manejar para que ele funcione como um sistema favorável para as plantas e os microrganismos, tanto para agricultura como para pecuária. Ao monitorarmos as mudanças na saúde do solo, podemos determinar se um conjunto de práticas é sustentável de acordo com sua atividade biológica e, principalmente, com o resultado final de uma boa colheita.

Somente seres "vivos" podem ter saúde; portanto, ver o solo como um ecossistema vivo reflete uma mudança fundamental na maneira como cuidamos dele. Afinal, ele não é um meio de cultivo inerte, pois é composto de bilhões de bactérias, fungos e outros micróbios que são a base de um elegante sistema simbiótico de rede alimentícia do solo



O solo é um ambiente que deve ser gerenciado para fornecer abrigo e alimento para esses microrganismos que irão solubilizar, disponibilizar e fornecer os nutrientes e metabólitos para o crescimento das plantas. Em tempos modernos, conhecer o solo, as plantas e os microrganismos e saber do que eles precisam é o caminho para uma colheita bem-sucedida, fazendo o solo e os organismos trabalharem a nosso favor. Os microrganismos são os cozinheiros da fábrica, e monitorar a saúde do solo é tê-los como biomarcadores. Quanto mais cozinheiros, mais comida, mas esses cozinheiros também precisam de alimentos.

Muitas pessoas acreditam que os micróbios só precisam de açúcar. Bem, eles precisam de uma fonte de carbono, que seria o exsudato das plantas. Mas, na verdade, também necessitam de ferro, manganês, boro e cálcio, e de todos esses outros elementos minerais também necessários para as plantas e para nós, seres humanos. É dessa forma que se integra a bioquímica nos manejos como diferentes fontes e pontos de vista sobre nutrição.

Existem algumas ferramentas para auxiliar nesses manejos, e uma delas é o extrato de composto, aumentando a atividade biológica dos solos, e uma delas é o extrato de composto, um tipo de biofertilizante que contém diferentes microrganismos ativados em meio líquido com oxigenação e balanço nutricional apropriados para balancear a quantidade de fungos e bactérias desejadas. As ovelhas comem o pasto, que veio do solo; o pasto passa pelo trato intestinal das ovelhas, onde microrganismos degradam essa pastagem em carboidratos e nutrientes para o animal. Essa é a integração lavoura-pecuária. Mas podemos incrementar esse processo. No nosso caso, o esterco desses ovinos é coletado do aprisco, onde os animais ficam em sistema de semiconfinamento, e preparado em forma de substrato. Esse substrato, depois de processado e compostado, fica pronto entre 30 e 45 dias, para então ser inoculado com as minhocas, permanecendo por mais uns 30 dias, dependendo da temperatura ambiente. Ou seja, esse resíduo de carbono das plantas passará por dois tratos intestinais, das ovelhas e das minhocas, para então ser ativado em meio líquido como extrato de composto ou húmus líquido ativo e pulverizado na lavoura ou pastagem. Doses de 150 a 300 L/ha podem ser utilizadas durante os ciclos da cultura, mas sempre mensurando a qualidade do extrato e da produtividade em médio prazo. Aqui você encontra um manual em português de infusão do chá de compostagem.

Acreditamos que depende de seres vivos todo o mecanismo de construção de um solo vivo. A engrenagem é a mesma, mas o entendimento depende de engenharia reversa. Alguns adubos não solúveis em água, quando utilizados em solos com alta atividade biológica, permanecem disponíveis por mais tempo, apesar de insolúveis. São manejos para reter por mais tempo os nutrientes e fazer com que não lixiviem do solo e que fiquem "retidos" mas disponíveis para a absorção pelas raízes das plantas, e não somente aumentar a caixa de nutrientes para as plantas, mas sim torná-la mais resistente com produção estável.

Consórcio de plantas de cobertura, nutrientes minerais e adubos menos solúveis, pulverização de probióticos e organismos são algumas das principais ferramentas para incrementarmos a resiliência dos solos e aumentarmos a imunidade das principais culturas desejáveis. 



A atividade rural é uma escola com sequência de valores, em que podemos construir inteligência coletiva. Aprender, aprender e aplicar, aprimorando e pensando na complexidade. Nosso principal desafio é gastar menos, produzir cada vez mais e conservar. No agroeconegócio, produtividade é vaidade, lucro é sanidade, e rentabilidade é a rainha.


Fontes:

The Biological Farming - Garry Zimmer, 2017

Humusphere - Herwing Pommeresche, 2019

April 27, 2020

Cobertura com mix de plantas, consórcio, blend ou coquetel de plantas:





As respostas com diversidade de plantas consorciadas favorece muito a melhora da saúde do solo, pois macro e microagregados são formados, funcionando como uma esponja. É onde se encontram os microorganismos, nestes agregados, nas raízes,  na argila, no silte, na areia, na matéria orgânica e no húmus. Nesta "amarração" também precisamos de oxigênio no solo, gerando o agregado estável, favorecendo a retenção de água no solo. Diferentes plantas e combinações de espécies de cobertura estimulam a microbiota do solo pela combinação dos exudatos emitidos pelas raízes dessas plantas.


Em termos práticos, se a natureza climática ocorrer dentro do esperado, a meta deste manejo de cobertura é também evitar aplicação de herbicida antes do plantio de verão, rolando ou deitando a cobertura para formar um colchão de palhada. Esse método é muito bom pois faz com que a planta tenha sua seiva bloqueda, preservando por mais tempo os exudatos
das raízes e mantande as raízes por mais tempo no solo.

São as bactérias e fungos benéficos que fazem a fixação e solubilização de nutrientes, ativação da biologia do solo, fixação de carbono, aumento de micorrizas, descompactação, reequilibrio, aumento de matéria organica e húmus... São esses alguns dos benefícios destes consórcios.

Tudo isso para preparar o solo antes do plantio das culturas de verão. 

Existem empresas que comercializam essa mistura pronta, ou podemos produzir na fazenda o próprio consório com ótima qualidade. Um dos outros desafios é conseguir colher a mistura e ainda poder usa-lá para semear no outro ano com sementes viáveis ou poder fornecer esse balanço nutritivo de grãos para alimentação, moendo num triturador para fazer farinha de diferentes espessuras, tanto para consumo humano como para animal. Ja fiz um relato sobre um produtor rural na frança que colhe seus mix de coberturas para alimentação de seu rebanho leiteiro neste link aqui.

Tem um manual com algumas espécies e as quantidades de cada uma para se fazer uma mistura como a que fizemos nas fotos ao lado, lembrando que essas quantidades devem variar de acordo com o que se deseja para o solo de cada região e principalmente o clima.



















Fontes:

Fotos tiradas na safra de 2019/2019

Plantas de cobertura e física do solo - Onã da Silva Freddi (UFMT) - 8º Dia de Campo sobre Sistemas Integrados de Produção Agropecuária, realizado pela Embrapa Agrossilvipastoril e Senar-MT nos dias 19 e 20 de abril de 2018, em Sinop (MT).

Plantas de Cobertura - Calegari responde: Qual a melhor planta para cobertura do solo, 24 de mai. de 2019

March 29, 2020

Densidade Nutricional da Soja Biológica


Estamos vivendo em um novo modelo de agricultura, um modelo onde se busca valorizar o solo como um ser vivo e o protagonista para melhoria da qualidade dos alimentos. 

Aqui na fazenda estamos vivenciando a era da agricultura de processos, onde buscamos reutilizar materiais e resíduos orgânicos de volta para o solo, alimentando ele. Alguns desses resíduos orgânicos funcionam como bioativadores do bioma do solo. Nosso objetivo é transformar os grãos de soja em medicamentos, em alimentos com alta densidade nutricional. Esse é o foco do trabalho com agricultura biológica. Além de utilizar variedade de soja livre de transgênicos, o fundamento principal é tornar as plantas com alta imunidade, onde elas criem resistência natural contra pragas e doenças, necessitando de mínimo manejo químico. Para isso necessitamos trabalhar com a saúde do solo utilizando remineralizadores, adubos menos solúveis, manejo biológico com probióticos, fermentados para o solo e plantas de cobertura. Isso tornará os grãos produzidos com alta qualidade e densidade nutricional. 

Nesse ponto podemos concluir que tudo que se coloca no solo de minerais e microorganismos que também  estimulam a planta a produzir algumas vitaminas e aminoácidos onde transforma e carrega em seus grãos esses elementos.

Nosso objetivo é transformar as plantas e os grãos em seres capazes de armazenar essas qualidades nutricionais e fornecer um alimento com diferencial em qualidade. Ainda acreditamos que podemos transmitir as melhores das intenções durante o processo de formação dessas plantas com técnicas de ionização e bioquântica.








March 12, 2020

O SOLO É UM ESTOMAGO


Existe uma boa analogia de que o solo é essencialmente o estômago da planta. É nele que a planta recebe seus nutrientes. Da mesma forma que um rúmen, o solo requer insumos como minerais, água e matéria orgânica na forma de resíduos, adubo ou compostos. E semelhante ao rúmen, o solo não pode fornecer nutrientes para o crescimento das plantas de forma muito eficiente, sem a ajuda de microorganismos. 

Em um sistema equilibrado e produtivo, para que os nutrientes sejam convertidos na forma que as raízes das plantas possam absorver, é necessário a presença de bactérias, fungos e outras formas de vida benéfica no solo. Uma exceção a isso é o atual sistema de agricultura em que os insumos solúveis são aplicados em uma forma prontamente disponível para as plantas, as vezes muito salinos ou esterelizantes para biota. 

No entanto, se você adicionar muitos nutrientes solúveis, é semelhante a alimentar uma vaca com grãos em excesso. Isso perturba o equilíbrio, ficando ambos plantas e solo desequilibrados, estressados e favorecendo o ataque de pragas e doenças. O solo precisa ser alimentado com um equilíbrio de minerais e matéria orgânica suficiente para manter ativa a vida do solo constantemente (Edaphon) e nutrientes disponíveis para o cultivo de plantas para que os microorganismos fiquem mais próximos das raízes. Por isso o tripé de plantas de cobertura diversificadas, aplicação de microorganismos solubilizadores e adubos menos salinos e mais minerais que se integrem com esse sistema.






Fonte:

The Biological Farming - Garry Zimmer, 2017

Humusphere - Herwing Pommeresche, 2019


March 11, 2020

Aceitando a independência do setor primário




Nós produtores e, principalmente, nossos representantes, devemos ficar atentos. Existe um enorme potencial mercadológico dentro desse novo segmento que surge na era biológica, que podemos denominar de AGROECONEGOCIO. Já vimos uma cena nada favorável das Federações Agrícolas que deveriam nos representar, mas aceitam valores abusivos de royalties cobrados pelo uso de novas biotecnologias. Acreditamos que toda tecnologia têm seu valor e merece reconhecimento na pesquisa, mas desde que não seja uma cobrança abusiva para o setor primário. Caso nossos representantes voltem a se corromperem pela indústria, veremos a mesma cena acontecendo nessa nova indústria dos insumos biológicos. Sabemos que hoje é possível trabalhar com microorganismos ativados na própria fazenda - onfarm - , desde organismos naturais presentes nos estercos de ruminantes e nas matas nativas, assim como cepas selecionadas, organismos vivos, de origem e oferecidos por Instituições de Pesquisas. 

A indústria de produtos biológicos já apresenta um comportamento ganancioso e interessada em abocanhar novamente boa parte do lucro de nosso setor primário, buscando de todas as formas patentear algumas cepas ou misturando contaminantes para evitar a produção natural, fermentação de seus produtos. Esses organismos são seres vivos...  É uma pena que essas indústrias não estejam ao lado dos produtores rurais de forma empática e que, ao invés disso, entram em conflito e se opõem. Existem casos de consultores que foram intimados por organizarem treinamentos que instruem agricultores a fazerem seu próprio insumo. É como se a indústria dos molhos de tomate ameaçasse um agrônomo que ensinou um restaurante a ter uma produção de tomates em seu quintal imaginando que, dessa forma, esse agrônomo e seu restaurante atrapalhariam,  comercialmente, as vendas de tomate processado e dariam um mau exemplo pois estariam criando uma disrupção no sistema. Mesmo o lucro ficando com o restaurante e movesse a economia destes locais.

Um microorganismo produzido na propriedade rural nada mais é do que uma forma de cerveja artesanal. No início se começam com panelas pequenas, no fogão de casa e depois pode-se evoluir para tanques maiores e mais automatizados. Se, por acaso, durante o processo o odor não estiver muito agradável, basta descartar a batelada e ainda podemos fazer análises laboratoriais e ter certeza da qualidade dos fermentados e descobrir o que deu errado. Mas quem aprecia cerveja artesanal, ou já acompanhou quem faz, sabe que um dos segredos está no cuidado com a limpeza durante o processo e que, mesmo em panelas pequenas, podemos fazer cervejas de excelente sabor. Os outros segredos só são descobertos por quem tem atitude e começa a fazer.


fazer cerveja em casa
Produção de cerveja IPA em casa. fonte: https://vinhosecervejas.com.br


Tanques de produção de insumos orgânicos onfarm para uso próprio. Fazenda Cambará




Would this be too much to ask for? (No idea how to make my 5 gal batches into this monumental task, but someday.  Someday...)
Equipamentos para brassagem de cervejas. Fonte: www.brewplants.com/


Equipamentos para produção de insumos orgânicos onfarm, para agricultura. Fonte: Solubio


Utilizar métodos de pulverizações inundativas, mantendo os microorganismos vivos e ativos por mais tempo para alimentar o solo e proteger as plantas, é uma das ações dentro desta prática. Por experiência própria, o maior desafio ainda é o controle da ferrugem asiática, se falando em soja, mas temos convicção de que se alimentarmos os microorganismos do solo para que eles alimentem a planta e quando essas plantas forem bem nutridas sem excessos ela quem irá ativar os beneficios do solo, ocorrendo balanços na relação de nutrientes, poderemos sim ter vegetais com maior imunidade ás pragas e doenças. Porém o que percebemos Brasil a fora é que ultimamente algumas práticas dentro das propriedades rurais estão sobrepondo muitas teorias e irritando alguns renomados consultores já que têm sua formação baseada em ensinamentos, referências e métodos de pesquisa cartesianos e planificados. Muitos agricultores e consultores estão lutando para entender uma metodologia de produção inteiramente nova. A nosssa única libertação é o conhecimento, tudo é motivo de aprendizado

A ERA DO CONHECIMENTO

Devemos nos unir mais quando o assunto é conhecimento, segundo a cultura asiática é o único bem que consideram compartilhável, o que explica a forma como quebram patentes de direitos industriais e intelectuais. O conhecimento deve ser compartilhado, e mesmo nesse novo mercado de vendas de cursos online de todos os tipos, ainda se encontram muitos videos e informações gratuitas, é só procurar na rede.

A tecnica de venda da qual o negociador utiliza a inveja para acertar o ego do possível comprador esta com os dias contados, e esperamos que a forma como irão comercializar  novos produtos agrícolas utilizem técnicas de venda menos prostituídas.

O núcleo desse novo paradigma é o reconhecimento de que a ciência moderna confirma uma idéia antiga, a idéia de que a consciência é como se fosse um solo e nele tudo pode existir, agregando experiências que irão refletir na construção e formação de um novo perfil.

O sucesso desta nova agriculura é a paz de espírito, que é um resultado direto da satisfação consigo mesmo por saber que você se esforçou  para dar o seu melhor em se tornar o melhor que é capaz de ser. Portanto, como diria o Prof Luiz José Garcia "devemos viver como se fossemos morrer amanhã e fazer agricultura como se fossemos viver cem anos"



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October 7, 2019

ARTE NA AGRICULTURA


Produtores de Shenyang, da província de Liaoning, na China, criam todo ano desenhos incríveis em lavouras de arroz. A maioria desses desenhos tem significados muito interessantes que remetem a fé, perseverança e costumes culturais e, através desses desenhos, entendem que estão abençoando a agricultura. Esaa técnica de desenhos, também conhecida como Tanbo Art, já foi utilizada por alguns países orientais onde visitamos como sendo uma “empresa rural parque”, quase como uma cooperativa agrícola nos moldes de organização oriental.



A área total da fazenda mede quase 70 hectares e o maior desenho que, na época, era um dragão, abrangia 15 hectares. Esse é um meio de promoção da agricultura na forma de arte e também a integração do meio urbano com o rural.

Nessa fazenda, ao sul de Shenyang, os quase 100 produtores trabalham unidos com uma empresa ligada ao Ministério da Agricultura chinês para demonstrar técnicas de projeção em 3D, agricultura de precisão, sistemas agrícolas, agregação de valor, negócios e filosofia. Tudo isso para incentivar os adultos e as crianças das cidades a terem uma relação com o campo e amor à agricultura e, ao mesmo tempo, ter acesso a produtos diretamente do campo para a mesa.


                            


Nos desenhos são utilizados diverss cultivares de arroz, com diferentes ciclos para sincronizar e escalonar o florescimento, a abertura de panícula, a cor e o tamanho. Tudo isso levando em consideração as tonalidades naturais das plantas, contrastando umas com as outras, para formarem os desenhos dimensionais. Aqui compartilho um vídeo que filmei com um exemplo fantástico de código QR, utilizando cultivares de grãos negros.


O DRAGÃO

Conforme relatado por Shuowen Jiezi e Guanzi, muitas imagens de dragões orientais mostram uma pérola flamejante sob o queixo ou em suas garras. A pérola é associada com energia espiritual, sabedoria, prosperidade, poder, imortalidade, trovão ou com a lua. A arte chinesa geralmente retrata um par de dragões perseguindo ou brigando pela pérola flamejante. Os dragões chineses são, ocasionalmente, representados com asas semelhantes a morcegos que crescem dos membros anteriores, mas a maioria não tem asas, já que sua habilidade de voar (e controlar chuva, água e outros efeitos da natureza) é mística e não é vista como resultado de sua atividade e seus atributos físicos.

O dragão também adquiriu uma gama quase ilimitada de poderes sobrenaturais. Dizem que é capaz de se disfarçar de bicho da seda ou se tornar tão grande quanto todo o nosso universo. Pode voar entre as nuvens ou se esconder na água. Ele pode formar nuvens, pode se transformar em água, pode mudar de cor com uma capacidade de se mesclar com o ambiente, como uma forma eficaz de camuflagem, e pode até mesmo brilhar no escuro. Na foto a seguir, a pérola está na na mão do dragão no campo ao lado, na continuação do bigode mas, infelizmente, ela precisou ser recortada e não conseguimos enxergá-la em sua totalidade. 

As vezes é interessante refletirmos um pouco sobre quem são esses compradores de praticamente metade da soja brasileira.



Infelizmente hoje o dragão passou a ser símbolo de mafiosos em forma de tatuagens. Mas isso ocorreu por conta de um filme onde o vilão utilizava tatuagens de dragão e, por isso, acabou virando moda entre alguns criminosos na China. Semelhante à época de lançamento do filme Velozes e Furiosos que, passados alguns meses, víamos nas ruas a repercussão do filme.

A colheita é feita separadamente para não ocorrer mistura de cultivares. Os alimentos são considerados bens sagrados e a população os valorizam muito, desde a Grande Fome, em que mais de 30 milhões de pessoas morreram por falta de comida, consequência de uma má gestão pública que arrasou o meio rural. Hoje, essa valorização do alimento na China explica a peculiar característica dos chineses de se alimentarem de itens considerados estranhos por nós, ocidentais. Os grãos sempre foram a principal fonte de alimentação dos chineses. Na época, a empresa agrícola que administrava as áreas estava buscando empresas parceiras de outros países para abranger e exportar suas técnicas e métodos.

September 1, 2019

ENCONTRO SOBRE SAÚDE DO SOLO


Já fazem 4 anos que comecei a procurar entender melhor os "manejos biológicos" e aos poucos iniciando essas práticas na fazenda, mas foi a partir do workshop sobre Produção Segura de Grãos que despertei para área de agricultura biológica, e desde então vi esse assunto ganhar cada vez mais espaço. Uma tendência sem volta. Vou listar abaixo algumas anotações que fiz durante o encontro técnico sobre saúde do solo na Universidade de Davis-CA

Em Agosto de 2019 tivemos a oportunidade em participar de um encontro de produtores e consultores americanos sobre soluções inovadoras referente a saúde do solo promovido pela Acres.  O objetivo e simples e claro, tornar um solo biologicamente ativo e equilibrar os nutrientes para tornar as plantas que crescem nesse meio resistente a pragas e doenças e ainda ter alta densidade nutricional. Soluções estas que sempre existiram mas somente agora se encaixam, como um quebra-cabeças em larga escala. Abaixo iremos citar alguns pontos positivos que achamos relevantes do encontro:

Visita a empresa BioMarrone


Como fazer seu solo trabalhar pra você? 

Aumentando a atividade biológica dele, fazendo com que os microorganismos trabalhem, criando ambiente ótimo e nutrindo-os com “refeições caprichadas”. Os minerais equilibram e dão condições aos micróbios alimentarem as plantas. Plantas e microorganismos criam um tipo de bioquímica que esta sendo muito estudada, pois sabe-se que a utilização de micróbios sozinhos não funcionam direito, mas quando junto de outros têm grande eficiência em nutrir as plantas e se conectarem, aumentando a imunidade e resistência contra algumas pragas e doenças.
Uso dos métodos de equilibrio de bases e elementos traços (por Willian Albrecht) balanço químico do solo integrando manejos que aumentem a atividade biológica. O ideal é integrar práticas e conceitos. Primeiro, organizar os minerais tendo em vista a microbiota do solo, seguido do equilíbrio biológico. Solo saúdavel é um solo extremamente produtivo.



Consultor Gary Zimmer, demonstrando analogias e exemplos práticos de agricultura biológica


Muitos nutrientes como fósforo são complexados pela química e disponíbilizados pela biologia.


Visita a fazenda onde usa compostagem larga escala
Tudo é uma questão do equilíbrio do valor elétrico do solo e das cargas. Como saber se teu solo esta com condutividade elétrica adequada? Usar um condutivímetro para medir, sempre com umidade no solo. Plantas na fase vegetativa de 0,2 a 0,4. Fase reprodutiva 0,5 a 0,9. Se marcar 0,0 não existe vida no solo ou solo muito seco. Acima de 1,0 cargas em excesso. Ir afundando a haste do conditivímetro até o final, lentamente, quanto menos variar a carga (0,2~0,4) melhor. A umidade do solo funciona como se fosse um líquido de bateria, é quem segura toda eletricidade. No solo, muita eletricidade torna indisponível nutrientes e desequilíbra a simbiose dos microorganismos com os vegetais.  Plantas e micróbios do solo criam bioquímica junto às raíses e quando em interação com outros organismos. Nesse sistema os microorganismos interagem entre si e alimentam as plantas. Análises de solo são precisas porém ambíguas, não é somente pelo nutriente que existe no solo, mas sim pelo que exatamente a planta esta se alimentando.  Método inovador de análise de tecido vegetal SAP, trabalham com equilíbrio funcional de nutrientes na planta pelo tecido vegetal visando renutrição voltada para aumentar a imunidade vegetal e melhorar resistência de pragas e doenças nos vegetais, consequentemente aumentando a densidade nutricional.

Bioprotetores, bioestimulantes, bionutrição: novos termos, novas tendências.


Monitoramento da saúde do solo é ter micróbios como biomarcadores.

Cálcio é a mãe, Fósforo o pai, Magnésio o filho problemático e o Enxofre o filho ativo. Cálcio é quem realmente manda na casa. O Boro é como se fosse o amor entre Cálcio e Fósforo. Os demais elementos cavalgam para dentro da planta nas costas do cálcio. A melhor forma de se corrigir uma carência é eliminando-se os excessos. 

A planta não pode ter dia ruim. O “conforto vegetal” garante altas produtividades aliado a “memória genética” das sementes trabalhadas dentro de um programa de melhoramento com manejos de agricultura biológica. 

De nada adianta utilizar produtos a base de micorrizas se o teu solo ainda não esta com boa aeração e atividade biológica. No mínimo deve haver uma relação fungo/bactéria dependendo do tipo de cultura,  para então povoar com micorrizas, essas irão trabalhar e disponibilizar nutrientes para as plantas.

Fração húmica. O nitrogênio deve estar em forma orgânica no solo, ficará retido no solo porém disponível para as plantas. Para clima temperado (faixa ótima de temperatura para proliferação de microorganismos) a melhor forma é carregar o solo com diversas plantas de cobertura, aproveitar a úmidade na entressafra e deixar o solo mais ativo possível, podendo adubar/pulverizar chá de composto, biofertilizantes, E.M. (microorganismos eficientes da mata)... ativando e adubando essas plantas de coberturas, quanto mais biodiversas e maior quantidade de carbono melhor. Comprovado que grande biodiversidade destes microorganismos  suprimem a maioria das doenças de solo. 

Diminuir os custos de produção e aumentar ou manter a produtividade, aumentando a RENTABILIDADE. De nada adianta produzir mais se os custos irão aumentar sem impactar num aumento da rentabilidade nas propriedades rurais.

Muitos destes manejos e informações acima não são novidades no Brasil, e já estão sendo aplicados em larga escala, e com maiores complexidades atribuídas ao clima tropical e avanços com relação ao uso do Silício por exemplo. O GAAS (Grupo Associado de Agricultura Sustentável) é onde encontram-se produtores, pesquisadores e consultores envolvidos com estes manejos para diversas culturas como soja, milho, cana, algodão, café, hortaliças... Depois desse encontro técnico em Davis-CA, percebemos que em termos de agricultura sustentável e produção onfarm, o Brasil esta no caminho para se tornar um grande líder mundial e o caminho é sem volta, pois estamos criando uma agricultura de processos e não de insumos. É a solução para tornar o produtor rural interdependente e potencializar o setor primário. Aqui tem mais infos sobre o GAAS: www.grupoagrisustentavel.com.br


Multiplicação onfarm:
** para brassagens/fermentações de probióticos onfarm procure um agrônomo ou profissional responsável que tenha esse conhecimento, buscando sempre cepas certificadas e de origem com a Embrapa ou institutos de pesquisas.  Testes de patologia também são importantes para garantir a qualidade da brassagem antes de pulveriza-las na lavoura.

*** Você torna-se um agrônomo até que você vá até o campo e aplique os conhecimentos adquiridos.

 @chiapeta_ag


August 22, 2019

Reciclagem de Conhecimento





Defensivos, pesticidas, biofungicidas, remineralizadores, agrominerais, probióticos para o solo, inseticidas, biofertilizantes, compost tea, micro e macroorganismos... uma gama de diversos nomes para a mesma função: proteger e nutrir as plantas. Mas então, como tornar essa planta protegida por mais tempo? Mantendo a planta com a imunidade alta pois, dessa forma, pragas e doenças não se aproximarão da lavoura". Uns dirão que isso é impossível, enquanto outros já concretizam sucesso com maiores rentabilidade em suas lavouras nessa nova era da agricultura biológica e regenerativa.

Tem ocorrido uma mudança radical no entendimento dos fundamentos da biologia com relação à agricultura e, até mesmo, relacionada às novas tendências do consumo de alimentos nas grandes capitais.
A ciência se desenvolve a partir de dúvidas e controvérsias. A agricultura somente sobreviverá se for pautada por rentabilidade e reconstrução do solo. Precisamos nos unir e desenvolver tecnologias para continuar na atividade." - Tossi




Utilizar métodos de pulverizações inundativas, mantendo os microorganismos vivos e ativos por mais tempo para alimentar o solo e proteger as plantas, é uma das ações dentro dessa prática. Por experiência própria, o maior desafio ainda é o controle da ferrugem asiática, aqui no Rio Grande do Sul, se falando em soja, mas temos convicção de que se alimentarmos os microorganismos do solo para que eles alimentem a planta, via metabolitos, e ocorram balanços inovadores na relação de nutrientes, poderemos, sim, ter vegetais com maior imunidade às malezas. Porém, o que percebemos Brasil afora é que, ultimamente, algumas práticas dentro das propriedades rurais estão sobrepondo muitas teorias e irritando alguns consultores vinculados, já que tem sua formação baseada em ensinamentos, referências e métodos de pesquisa cartesianos e planificados. Mas muitos agricultores e consultores estão lutando para entender uma metodologia de produção inteiramente nova. 

A nossa única libertação é o conhecimento, afinal tudo pode – e deve – ser visto como uma oportunidade de aprendizado e reciclagem de conhecimento.


July 1, 2019

Caminhos para agricultura moderna



Antes de pensarmos em qualquer tipo de evolução nos manejos agrícolas, devemos pensar primeiro na gestão: ter um controle acirrado dos custos de produção, custos de vida e percentual da rentabilidade final dos empreendimentos agrícolas. Mas, antes de falarmos sobre agricultar, devemos pensar no que nos move. Primeiro na cultura, depois no agro. Em cada um de nós existe algum tipo de inspiração que nos guia para superar desafios e ser cada vez melhores, ainda que devemos sempre competir com nós mesmos e com os resultados gerados dentro da própria fazenda.  Muitas vezes podemos nos inspirar assistindo algum pesquisador revelar manejos de sucesso, assistindo algum filme motivador, admirar pessoas próximas de nossa vivência ou ensinamentos das que já se foram, e também visitando e trocando experiências com outros produtores rurais sobre boas práticas, afinal a  troca de experiências, vivência e evolução são essenciais na superação de desafios. Observando diferentes realidades, devemos nos influenciar positivamente para fazer o melhor para nós e para melhorar ainda mais a agricultura brasileira. No entanto, ainda há uma falta de conscientização ou entendimento entre os agricultores a respeito da incorporação do uso de novas técnicas em suas operações e o desafio de não deixar o ego cair na cilada das competições comerciais de produtividade.

Muitas pragas, doenças e plantas daninhas já possuem alguma resistência ao controle feito com móleculas químicas. Estamos vendo megamultinacionais se fundindo com o intuito de monopolizar essas móleculas por mais tempo no mercado e isso implica em recomendações técnicas para aumentar a dose das aplicações, em alguns casos. Essas recomendações, muitas vezes, vem dos próprios consultores técnicos das empresas químicas. E, no final, quem leva a culpa é o agricultor... Precisamos, sim, de novas moléculas para garantir a segurança alimentar. Não podemos ser radicais quanto ao uso de moléculas químicas, entretanto temos a oportunidade de encontrar outras opções relevantes como, por exemplo, diversas plantas de coberturas, fertilizantes alternativos, manejo biológico, tanto por macro quanto por microorganismos e principalmente aumentar a imunidade das plantas. Podem ser uma ótima ferramenta para aumentar a vida dessas moléculas químicas mais antigas que já estão batidas. O maior desafio, nesse caso, será integrar os manejos, já que muitos organismos vivos tem incompatibilidade com insumos químicos. E nunca podemos esquecer que a transição de um sistema para outro deve ser harmonioso e que cada um leva o seu tempo nessa mudança.

Os manejos biológicos são várias ferramentas com soluções naturais de proteção de plantas e de fitossanidade que podem ser utilizados sozinhos ou como parte de um programa que incorpora defensivos químicos e fertilizantes convencionais.

Dos diferentes conceitos de sustentabilidade, podemos dizer que um deles é utilizar a criatividade e inteligência de resgatar a tradição agrícola com foco em altas produtividades para alimentar todos os seres do planeta. O reconhecimento dessa tradição serve como estímulo para renovação e inovação. Regenerar a tradição agrícola utilizando biotecnologias, internet das coisas e inteligência agronômica é o princípio de tudo.

A melhor forma de conhecer esses manejos que estão resgatando técnicas antigas integradas com tecnologias inovadoras de low tech com high tech, é participando ativamente de dias de campo, fórum anual e encontros técnicos do GAS (Grupo de Agricultura Sustentável). Esse grupo teve início na cidade de Mineiros, Goiás, e já se espalha por todo o Brasil. Ele consiste, basicamente, de agricultores, consultores e indústrias que buscam novas alternativas para reduzir custos de produção, aumentar a rentabilidade e melhorar a qualidade do solo e das plantas, em larga escala. Uma das principais práticas pregadas é a multiplicação microbiológica onfarm, também chamada de agricultura fermentativa. Nesses encontros são discutidos, pelos próprios agricultores alicerçados na ciência, sobre as diversas ferramentas para aumentar a rentabilidade, diminuir a dependência de insumos químicos e melhorar a densidade nutricional das plantas e animais. São técnicas baseadas em um manejo alicerçado no tripé “plantas de cobertura, saúde do solo e proteção de plantas utilizando microrganismos produzidos onfarm”. O objetivo final é ter plantas com maior imunidade, mais resistentes a pragas e doenças. Já tive a oportunidade de vistar algumas fazendas aqui no Brasil, e em outros países, que utilizam algumas técnicas e estão tendo resultados muito satisfatórios. 
































Mix de plantas de cobertura em fazenda de agricultura biológica, Bio Thorey,  na região de Lantages na França. O produtor trabalha com sementes salvas para criar memória genética nas sementes. Utiliza uma diversidade de plantas que possuem quase o mesmo ciclo para colher todas juntas em uma proporção nutritiva ideal para oferecer os grãos colhidos para seu semi-confinamento de animais. São 400 hectares de produção de grãos e pecuária.  Agradecimento ao Jeferson de Souza que proporcionou a visita nesta fazenda.



Técnicas hi-tech e low-tech de avaliação da saúde do solo. A esquerda um teste da massa microbiana do solo com equipamento microbiometer e a direita Cromatografia de Pfeiffer


O que percebi, basicamente, é que mesmo em diferentes realidades existem pontos em comum: o esforço para superar desafios constantes, a paz de espírito e o resultado da satisfação em atingir objetivos é o que move e motiva todos nós para melhorar nossos manejos. Essa é a agricultura moderna, saudável, que produz mais com menos, e arrisco dizer, ideal, que integra conceitos e leva em consideração o ensinamento dos processos para serem executados pelos próprios agricultores. O custo é menor, mas o trabalho será maior. Sem ideologias e sem colocar manejos em pedestais. A chave é entender o sistema como um todo e pensar no solo como um confinamento de milhares de seres vivos que necessitam de alimentação constante. E, a partir do momento que nutrimos esses seres, eles irão se alimentar e proteger nossas plantas. Mas antes a ciência deve ampliar os horizontes e nos guiar para entendermos melhor esse novo universo.


Fontes:

GARY F. ZIMMER, Advancing Biological Farming - Practicing Mineralized, Balanced Agriculture to Improve Soils & Crops, 2011.

HERWING POMMERESCHE, Humusphere - Humus: A Substance or a Living System? - Acres USA, 2019

HOLIDAY RYAN, O Ego é seu inimigo - Como dominar seu pior adversário, 2017 pág.218

GARCIA, LUIZ JOSÉ, Instituto de Agricultura Biologica, https://institutodeagriculturabiologica.org/

FESTIVAL PATH 2019, -  Anotações pessoais.

October 29, 2018

Why do people say the global food and farming sector is in a crisis?



Farming is one of the most antique works. As the industrial revolution started, became easier to do it. But with the new production methods, we also have new costs. Yields became better, more food.

Nowadays not just industrial revolution is increasing production costs, but also the chemical industry and digital agriculture. We are passing through a huge changing in agriculture, it's amazing. But costs are higher than ever and most of the profit is staying with the industry.

Some farmers are starting to increase net margin by rescuing old farm management integrating with high tech agriculture methods, producing theirs own pesticides on farm in a natural way. Maybe that could get out the state crisis from most of farmers, but the thing is that the industry might not be in favor of that.

This is happening in Brazil. Farm margins are low, so new ideas are coming to increase margins. We are a group of many farmers that produce soybean, corn and other products in large scale, using old methods of biopestices and natural fertilization and we still get the same yields. This management are changing the way agriculture is because farmers can get interdependent of the agrochemical industry, producing more healthy food, with the same or even more yields and getting a better net margin. This is Sustainable Agriculture. Producing more, with less.

July 23, 2018

A FALÁCIA DAS COMPETIÇÕES DE PRODUTIVIDADE



PRODUTIVIDADE X RENTABILIDADE

Safra após safra o Brasil tem batido recordes de produtividade. Segundo o CESB o campeão de produtividade da safra 2016/2017 alcançou a incrível meta de 149 sacas/hectare, mostrando que a cultura da soja tem sim um grande potencial de produtividade visto que a média nacional é praticamente 1/3 do alcançado pelo campeão brasileiro de produtividade. E ai é impossível não questionar: afinal o que mais interessa ao produtor altas produtividades, ser sempre o mais produtivo da região e ser reconhecido como tal, ou ser o mais rentável no negócio de modo geral mesmo que sua lavoura não seja a que mais produziu?

Existe uma competição muito acirrada, todos querem sempre produzir mais, e alguns acabam esquecendo de analisar os custos envolvidos na produção. Quanto mais desejarmos produzir maiores deverão ser os investimentos feitos, mas não podemos esquecer de buscar o ponto de equilíbrio. Uma propriedade rural como qualquer outra empresa só continuará existindo se o saldo obtido com a venda do produto final for positivo quando descontarmos os valores gastos no processo de produção. 

Em um momento onde a oferta de insumos e tecnologias é cada vez maior há que se ter critérios na tomada de decisão na escolha de insumos e aplicação de tecnologias buscando maximizar o rendimento financeiro da propriedade, não podemos investir cada vez mais buscando produtividades maiores sem que haja um incremento real na rentabilidade pois se não houver incremento na rentabilidade o produtor apenas estará consumindo mais insumos no processo produtivo e transferindo uma fatia importante da sua lucratividade para as empresas fornecedoras de insumos visto que não há diferença de rentabilidade entre aquele que produz 60 sacas com custo de 30 sacas e aquele que produz 80 sacas com custo de 50 sacas, apesar do aparente ganho em produtividade a rentabilidade final, é a mesma.


CONSULTORIAS X LUCRATIVIDADE

Atualmente existem formas de se contratar inteligência para se aumentar a produtividade nas empresas rurais. Uma delas são as consultorias agrícolas especializadas. Porém percebemos que a forma de remuneração destes profissionais ainda é extravasada. Vamos direto ao ponto: o ideal para se contratar um consultor agrícola é que se remunere pela produtividade líquida, ou um valor fixo mensal totalmente acessível e que não onere o custo de produção e seja desvinculado da produção bruta. O profissional agrícola deve ser valorizado e dessa forma se ele for realmente bom, ele poderá cobrar um percentual em sacos sobre a produtividade líquida, ou seja, dos 60 sacos com custo de 30 ele deverá receber a bonificação sobre os 30 sacos por hectare que sobraram. Por isso que primeiramente as consultorias contratadas no meio rural devem levar em consideração primordial um suporte na contabilidade do produtor para depois entrar no sistema de manejos. E atualmente são raras exceções as empresas de consultorias que atuam desta forma. 

Uma forma de se tornar independende de insumos externos dentro de empreendimentos rurais é a utilização de métodos da agricultura fermentativa em larga escala, que conforme Decreto 4-074/2002 libera a produção onfarm de biopesticidas para uso próprio dentro das propriedades rurais, como uma nova ferramenta biotecnológica. No entando ainda falta resiliência para os métodos serem aceitos dentro do atual modelo de sistema em que produzimos. Pouquíssimas empresas de consultoria estão trabalhando com essas novas tecnologias de manejos biológicos, tornando esta ferramenta uma excelente opção de oportunidade de negócio para consultores que queiram avançar e uma nova solução de redução de custos para os produtores e melhor para a sociedade, utilizando inovações e biotecnologias.
#Novas ferramentas biotecnológicas com manejos integrados e consultorias agrícolas especializadas.

Começa a fazer cada vez mais sentido sobre o grande desafio que devia ser utilizado nas competições de produtividade do CESB. “O quê e como fazer para que os produtores possam ser eficientes e competitivos com menos créditos, com menos subsídios, com menos investimentos, com menos garantias oficiais de comercialização e com menos Estado”.

linha acima de 60 com perspectiva






* Agradecimento pela coloboração no texto para Naiana Bar, Engenheira Agrônoma e Produtora Rural.

February 15, 2018

BRASIL x CHINA - Ganha Ganha?


www.brasil.gov.br/economia-e-emprego/2017/05/entenda-como-funciona-o-fundo-brasil-china

Países em desenvolvimento não são apenas colegas para superar as dificuldades, mas sim devem atuar como bons irmãos e se aproximarem mais dentro de uma cooperação global entre países. Isso foi dito pelo

Resumindo: O Brasil vende soja pra China, em troca nós facilitamos que empresas chinesas operem nossas hidroelétricas e vendem para nós mesmos. Isso é um dos 14 acordos que foram assinados em Setembro de 2017.

Infraestrutura, logística, energia e recursos minerais, agroindústria, manufatura, tecnologia avançada/ inovação, agricultura, armazenagem agrícola e serviços digitais

Quem está por trás disso tudo aqui no Brasil é o Ministério do Planejamento, Desenvolvimento e Gestão... O fundo esta ai, e a forma de conseguir acesso é muito mais fácil via empresa brasileira com governo Chinês, fazer o projeto, enviar para os chineses e depois solicitar ao Ministério. Isso quem nos passou foi um dos oficiais do MOST, durante a cerimonia de encerramento do workshop. Dando uma futricada no site deles se encontra bastante coisas e inclusive alguns emails para contato.

Na verdade, a China esta fazendo acordos com diversos países em desenvolvimento. Com investimentos quase que trilhonários, têm como objetivo facilitar a logística e comércio entre esses países. Em um dos casos, irá construir estrada e ferrovias que irão atravessas de norte a sul o Paquistão

Têm muito interesse por trás disso tudo, e alguns líderes da União Européia já afirmam que não irá existir nenhum acordo ganha-ganha, e que quem sairá ganhando nisso tudo será somente a China...... Eu sempre gostei de geopolítica, pois gera muitas inquietações e especulações como essa notícia, fazendo com que nunca saibamos se é realmente verdade, pois ainda existem mais interesses por parte das mídias de cada país. É isso que torna a geopolítica instigante.

December 21, 2017

PRODUÇÃO DE SOJA NA CHINA 2017


Cultivares com pouco espaçamento entre nós.
TROCA DE EXPERIÊNCIAS

Os Chineses, pelo menos os pesquisadores e professores de doutorado na universidade onde fiquei por quase um mês, são grandes defensores de biotecnologia na China. Durante todas as reuniões que tivemos, afirmaram que os benefícios dos transgênicos são maiores que os riscos. Assim como os riscos de radiação que celulares e redes wifi causam. Ou de que preferem a poluição do carvão como fonte de energia do que o uso de reatores termonucleares.

Como estávamos num grupo bem diversificado de profissionais, sempre ocorriam discussões muito interessantes sobre diversos paradigmas dentro da agricultura e o assunto sobre organismos genéticamente modificados são ainda um dos que causavam mais polêmicas. Porém, os chineses não plantam soja transgenica, é proibida para consumo humano.


COMO OS CHINESES CONSEGUIRAM PATENTEAR UMA SOJA BT?

Não é permitido o plantio por um motivo simples. A China teve/tem algumas desavenças com a multinacional americana que patenteou essa biotecnologia, desde o lançamento da soja resistente a glifosato e principalmente pelo alto valor dos roylaties que queriam cobrar pelo uso dessa biotecnologia. Outro motivo foi que os chineses solicitaram que se a multinacional quisesse ingressar no mercado de sementes no país asiático, deveria ocorrer a transferência de tecnologia, ou seja, todas as técnicas e descobertas deveriam ser ensinadas para pesquisadores chineses. 

Resistente a percevejo
Esse acordo não ocorreu. A China ficou mais de 10 anos sem fazer pesquisas a fundo no desenvolvimento de novas cultivares de soja. E agora voltaram com tudo, soja resistente a lagartas, percevejos, metais pesados, seca e cultivares com arquiteturas bem interessantes. Tudo isso é irrelevante para os agricultores chineses, que não plantam sojas geneticamente modificadas. Essas sojas modificadas estão sendo pesquisadas para serem vendidas nas novas lavouras do continente armericano e é claro também na américa latina. Não demorou muito para os chineses descobrirem os processos de patente de biotecnologias já existentes e conseguirem registrar com novas patentes e principalmente novas variações que permitiram criar um novo registro sobre esse tipo de soja transgênica, patente diferente do da antiga monsanto, mas com exatamente os mesmos princípios. O que fez com que essa nova patente chinesa se enquadrasse como uma nova biotecnologia foi que perante a lei internacional, o registro estava limitado em 30% de semelhança na cadeia de DNA.  Da mesma forma para soja Intacta, onde os pesquisadores chineses conseguiram utilizar a mesma fórmula para registrar soja Bt, resistente a lagartas e outro evento que torna a soja também resistente a percevejos, mas esse com a biotecnologia CRISPR. Todos esses procedimentos e processos de pesquisas das biotecnologias nos foi mostrado durante o workshop na universidade.

Os pesquisadores chineses simplesmente inverteram algumas sequências nucleotídicas e alegaram a diferença, ganhando a patente. Ou seja, conseguiram criar os mesmos eventos biotecnológicos que a monsanto, porém com diferente métodos de sequenciamento. Sem precisar pagar um pila de roayalties. Portanto, o motivo pelo qual a China têm certa aversão dos transgênicos para platar em seu mercado interno é por motivos políticos e comerciais.

As cultivares de soja trasngênicas não estão sendo plantada na China, são todas para exportação em forma de germoplasma ou evento biotecnológicos. O objetivo dos chineses é comercializar essas biotecnologias com outros países inclusive o Brasil. Agora podemos pensar um pouco sobre essas várias aquisições de empresas multinacionais feita por empresas chinesas. Estão investindo milhões de dólares em pesquisas com melhoramento e biotecnologias em plantas de soja, porém o uso dessas plantas é extremamente restrito aos centros de pesquisas nas universidades e em campos experimentais de institutos oficiais do governo.
Lavoura com diferença na maturação. 

Por qual motivo os agricultores não plantam soja trasngênica na China?

O governo centralizador iniciou uma campanha junto aos agricultores chineses que uma empresa americana havia criado sementes de soja que iria arruinar e esterelizar os solos, causando mortes se fossem plantadas e que essa mesma empresa tinha como objetivo colocar os agricultores contra o seu próprio governo. Esse foi o argumento e é a explicação de como que os produtores chineses não plantam a soja transgênica que chegam em navios importados do Brasil, Argentina e Estados Unidos, mesmo chegando misturadas. Tudo isso ouvimos durante as conversas com os professores da universidade agrícola.

Já relatei sobre isso aqui onde pude analisar durante visitas em campos de demonstração e laboratórios de que a soja com tecnologia de resistência a lagartas da china é tão eficiente quanto a soja intacta ipro da monsanto. Acho que a briga futura das multinacionais serão entre Bayer/Monsanto e Syngenta, ou seja, China contra Estados Unidos e Alemanha, ou ainda, países desenvolvidos contra país em desenvolvimento.


A COR DO HILO

A soja com cor de hilo branco é a mais aceita e consumida no mercado interno deles. O tofu deve ser branco ou bege, e só consegue ter essa característica se utilizado grãos com cor de hilo braco. Portanto, a soja importada vem toda misturada, tornando quase impossível do agricultor chinês plantar. Além de ser transgênica e proíbido o plantio.

Na cabeça dos agricultores chineses, cor de hilo preto ou marrom é característica de soja ruim… Mas na verdade isso é uma questão cultural dos agricultores e não significa que a soja seja ruim. Mas é um fator de decisão deles, ao escolherem as cultivares de soja.

Os motivos pelos quais os agricultores Chineses preferem plantar milho ao invés de soja, primeiro é pelo preço que chega a ser até 2,5 vezes que grão de soja, e o segundo motivo é de que milho produz muito mais por hectare. . Neste mês de setembro, o preço pago pelo kg de soja produzido pelo agricultor era em torno de R$0,51/kg. Além do jogo de subsídio que o governo impõe para controlar as reservas de grãos.

Por alguns anos os chineses deixaram de investir em programas de melhoramento pela descoberta da Monsanto, referente ao gene resistente ao glifosato. De certa forma, ficaram descontentes com o registro da patente, tendo como a soja uma planta originária da China. E foi ai que a briga começou e segue até hoje. Muitos pesquisadores aindam buscam informações genéticas em plantas de soja crioulas para estudos sobre o sequenciamento de DNA.

Por mais paternalista e controlador que seja o estado chinês, ele deve se adequar a diversas leis internacionais. Uma dessas leis referem-se a condutas comerciais. Desde que a China passou a fazer parte da Organização Mundial do Comercio  não pôde controlar os preços dos grãos, ficando a mercê das principais trades do mercado internacional e que também atuam dentro do país asiático. É a OMC que tenta policiar esse mercado de grãos, evitando práticas anti-comércio. Dessa forma todo o mercado de grãos internacional tem como principal condutor a oferta e demanda. Claro que muito disso é regulado pelo consumo do mercado chinês, mas eu já escrevi aqui, que a reserva de grãos deles é de até 25%, ou seja, essa é a gordura da qual podem barganhar ou queimar durante as negociações de compra das commodities agrícolas.



EXPERIÊNCIAS TRANSFERIDAS

Um assunto que observei para o grupo foi a experiência negativa que tivemos sobre o início da soja resistente ao herbicida glifosato no Brasil, quando ainda não eram legalizadas, e que depois de algumas safras praticamente todos produtores já utilizavam. Utilizaram por forças maiores da necessidade da revolução agrícola que ocorria no nosso país hermano.

Digamos que foi como aconteceu com o Uber...! Forçando o governo, atrasado, a tomar uma atitude para liberação. Vocês lembram as notícias dos protestos dos taxistas? Então, durante a liberação dos transgênicos foi parecido, porém muito mais intenso, pois cutucava ideologias e negociações de royalties. Tanto é que crucificaram vários da CNTBio e principalmente os produtores rurais, que eram como se fossem os usuários de Uber quando lançou o aplicativo e ainda não era legalizado, mas era muito usado.

Dessa forma, o governo não teve nem tempo de dar explicações a população sobre os benefícios ambientais que os transgênicos trariam para o meio ambiente, em médio prazo. Esse atraso na legalização causou decadência e bagunça no mercado brasileiro de sementes durante 10 anos e com sequelas que se perpetuam até hoje.

Comentei da parte boa também, que se não fossem essas biotecnologias com certeza a produtividade não teria aumentado e estaríamos ainda usando muito mais herbicidas ou inseticidas nas lavouras. E ainda, não teríamos sobra de grãos dos quais podemos exportar para alimentar os suínos, aves, peixes e fazer o óleo vegetal dos chineses.

Integração Lavoura Pecuária (ILP) também foi um assunto que tive a oportunidade de apresentar para o grupo de pesquisadores do programa e também para mestrandos e graduandos da universidade agrícola. Como ex-aluno da faculdade de agronomia da UFRGS, tive o Professor Paulo Carvalho como grande influência e mentor deste assunto.

Poder ter levado para China e difundido os princípios da ILP, como ferramenta aliada à segurança na produção de grãos, foi como poder ter retribuído para o professor todos os ensinamentos e oportunidades que ele me ofereceu durante a minha época de estudante de agronomia. E hoje buscamos aplicar esses conceitos de integração na sociedade agrícola em que atuo.




SOJA HÍBRIDA: uma breve descrição.

Insetos da família Megachile são responsáveis, junto com outras abelhas, pelo processo de produção de soja híbrida. É responsável pelos primeiros trabalhos de produção de soja híbrida nos Estados Unidos, Megachile rotundata ou Megachile. Esse inseto , que também é um tipo de abelha, corta e come a pétala das flores, esterilizando a planta e impedindo que ela se auto fecunde. Dessa forma, podendo ser polinizada por outra cultivar com a floração sincronizada. O problema é que ainda não descobriram como tornar essas plantas machos-estéreis mais atrativas para as abelhas polinizarem.

Para não perder ou que essas abelhas se dispersem, os pesquisadores descobriram que plantando alfafa próximo da área de produção, as abelhas são atraídas. Nesse momento devem ser capturadas.

A descoberta já faz alguns anos, porém o método para polinização cruzada em soja é o maior desafio.

A China já têm alguns trabalhos com produção de soja híbrida, porém essa abelha só é encontrada nas Americas, portanto todos os trabalhos são com abelhas importadas dos Estados Unidos. Também estão pesquisando outros métodos de esterilizar plantas, evitando a autofecundação e obter polinização cruzada.

Se esses métodos de produção de soja híbrida ocorrer, teremos produtividades próximas ao do milho e do arroz, que ultrapassam 10.000kg/ha. Entraríamos em um novo patamar na produção de soja. Acho que isso não esta muito longe de acontecer e a resposta está na observação da própria natureza.

Pra quem quiser ir mais a fundo no assunto, Aqui esta o trabalho a partir de 2006 do registro desta técnica de polinização. E aqui o número de outras patentes referente a produção de soja híbrida, todas na America do Norte.

A China pretende se tornar o país líder em biotecnologias nos próximos 20 anos.









Óleo de soja com grão importado: +- R$8,00 por litro


Estufas de tomates e cidade ao fundo

Seleção de espigas para milho varietal.






Campo experimental


Leite de soja, rico em vitaminas.


SORGO

Uma breve descrição sobre o cultivo de sorgo na China. O Sorgo está sendo uma boa fonte de renda para os agricultores que preferem uma planta mais rústica que o milho ou para utilizar em áreas mais úmidas. A China já utilizou muito mais o sorgo e seus subprodutos do que atualmente, mas vem fomentando esta cultura como forma de diversificar a produção nas propriedades. O plantio é recomendado de forma que as plantas fiquem bem adensadas, um dos motivos é para evitar que pássaros consigam comer, pois dizem que é um grande problema. Na verdade, o pássaro come o sorgo, e o chinês come um pássaro farto. Sim, o que eu vi de estilingues, arminhas de pressão como espingardas e revólveres foi incrível. Eles matam muitos pássaros, mas não matam a toa, sempre com algum propósito, por mais que essa prática seja de certa forma proibida por aqui. Mas então, como que o governo consegue incentivar os produtores a plantarem sorgo? Muitas vezes é por imposição, quando na existência de "cooperativas" que vem assumindo o controle das áreas agrícolas. O uso para alimentação humana do sorgo corresponde a 10% da produção, 8% para produção de bebida alcóolica que é um tipo de cachaça chinesa variando de 21 até 47 de teor alcóolico e quase 80% dos grãos vai para a alimentação animal. Grandes projetos estão sendo desenvolvidos para utilizar o sorgo na produção de etanol como combustível. A Argentina é um dos grandes exportadores de sorgo para a China, mais de 10 milhões de toneladas vem dos hermanos. O plantio de sorgo era muito popular aqui, mas caiu mais de 10x a produção total, principalmente pela competição com o plantio de milho, que hoje é o segundo grão mais plantado na china depois do arroz. A cadeia mercadológica do sorgo é muito instavel e com falta de clareza na oferta e demanda.